domingo, 3 de março de 2019



                      “O exercício obsceno da vingança”.

“Um sinal claro de que nosso desejo legítimo de justiça transformou-se em exercício obsceno de vingança ocorre quando as situações que humanizariam alguém são usadas para ofendê-lo e humilhá-lo. A morte de inocentes não lembra mais nossa igualdade diante da finitude da vida, mas a crueldade dos sobreviventes. Por isso o processo de demonização dos inimigos é infinito. Tudo o que nele o torna como nós, como o fato de que ele tem filhos e netos, que sofre e que ama, precisa ser negado. A impossibilidade de compartilhar qualquer coisa que seja, com este outro. Se Freud estava certo, no inconsciente, vigora a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Disso podemos intuir que aqueles que agora gozam e desejam com a morte de uma criança de sete anos, cedo ou tarde, serão cobrados em dobro, na moeda da culpa, pela sua própria consciência.

Muitos brasileiros hoje se perguntam como é possível defender Jesus Cristo atrás de uma arma, ou usado para apoiar o ódio ou a violência. Poucos percebem que a crença de que todo mal descende de uma pessoa, ou de uma classe de pessoas, é um subterfúgio para liberar o que há de pior em nós. Usar a lei para nos proteger do mal é uma das estratégias mais antigas de pacificação subjetiva. Como se tudo que fosse legal assegurasse nossa moralidade.

Mas o fato é que existem coisas legais e imorais, assim como existe um uso da lei para humilhar e vingar-se do outro. Dentro de todos os impasses que separam e unem a justiça do direito há algumas máximas morais que estão acima de contextos e circunstâncias. O luto e o respeito pelo luto alheio é uma delas.

É o que acontece quando usamos os erros dos outros para nos sentirmos mais puros e justos. Mas o custo subjetivo para manter esta satisfação com a falta do outro pede cada vez. É preciso cada vez mais ofensa e degradação do outro para obter o mesmo efeito de limpeza da consciência.

É preciso cada vez mais maldade no outro para reassegurar nossa bondade. É assim que na história mais mal tenha sido feito em nome do bem do que do mal ele mesmo.

Quanto mais os escândalos de corrupção aparecem do lado do governo, quanto mais laranjas, motoristas e goiabeiras surgem, pior tem que ser o PT e os petistas.
 P
                    sicanalista, professor da USP: Christian Dunker


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

MINHA HISTÓRIA
Era começo de noite de um dia frio.
Minha mãe, minha irmã e eu, ambos ainda adolescentes, entramos em um trem com malas feitas as pressas, rumo ao desconhecido.
Viajamos por horas a noite toda para chegamos no outro dia em uma pequena cidade do interior, já no planalto do Rio Grande do Sul onde depois de esperar quase o dia todo em uma rodoviária pequena,comendo sanduíches, pegamos outro ônibus e viajamos mais uma noite inteira.
Chegamos em uma pequena cidade no interior do Paraná, onde eram poucas ruas calçadas, não tinha sinal de televisão e os telefones eram escassos.
Fomos acolhidos por parentes. Nosso pai apareceu três meses depois, com apenas a roupa do corpo.
Tínhamos perdido tudo.
Uma chácara onde criava galinhas e porcos e o melhor restaurante da cidade, automóvel, tudo vendido as pressas por qualquer dinheiro a "amigos" que aproveitaram a ocasião .
Logo um primo, dono de um jornal me arrumou um emprego, meu pai foi trabalhar como vendedor de maquinas agrícolas e a vida começou a tomar jeito.
Meu pai era um dos milhares de brasileiros que foram calados por ser brizolista. Uma das milhares de vozes caladas por protestar contra a conspiração militar.
Contra um homem tão perigoso como era meu pai, assisti o exército colocar uma barricada de sacos de areia com uma metralhadora e soldados, sobre um cavalete em frente ao seu restaurante.
Assisti meu pai fazendo discursos em praça pública contra a intervenção militar. Vi e assisti amigos, até então de meu pai, ignorantemente ou covardemente se acomodarem e se omitirem até mesmo quando ele precisou . Assisti um povo todo que ria e comia na nossa casa, sumir. Parentes com alguma importância social na cidade, baixarem as cabeças.
Uma sociedade toda, um povo todo aceitar mansamente o cabresto e o que viria a partir daí.
Nunca mais nos recuperamos.
Meu pai, como a maior parte das pessoas, era um homem sem estudo, estado bruto e polido por si mesmo. Com muitos defeitos mas tinha o que considero a maior qualidade de todas: Era humano.
Com uma capacidade até doentia de ler muito sempre que tinha tempo, digeria de tudo em grandes quantidades. Isto fez com que entendesse realmente o que se passava.
Hoje vejo novamente o filme se repetindo. Muitos amigos e parentes, covardes ou ignorantes agindo da mesma maneira que aqueles covardes ou ignorantes amigos de meu pai agiram. A incapacidade de entenderem o que realmente se passa não serve como desculpa para tal crime de lesa pátria.
Quando Jango tenta nacionalizar o petróleo, foi a gota final para forças externas intervirem.
O filme que estamos assistindo novamente é igualzinho o que já vi na minha juventude.
A utilização das forças da mídia controlada pela extrema direita, que não é brasileira e a intervenção para que nossas riquezas principalmente o petróleo continue sendo de graça para eles, estão novamente em ação. O uso da Igreja que já não é mais a católica, agora com outro nome, manipulada por picaretas e vigaristas usada para fazer a cabeça de milhões de brasileiros, sem cultura, sem leitura, sem capacidade de entendimento, também gente egoísta e perversa, gente frustrada por querer e não poder, de desejar e não ter, fazem hoje o mesmo jogo de sempre felizes por serem serviçais num trabalho contra nossos interesses nacionais.

Dilamar Santos
para o Ortêncio e o Welcy que lutaram nesta trincheira.

segunda-feira, 28 de maio de 2018


segunda-feira, 14 de maio de 2018

domingo, 21 de janeiro de 2018

O QUE REALMENTE SE PASSA NO TERCEIRO MUNDO




segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Blog do Alok: O jogo esquecido: Por que a Rússia é Inimigo #1 pa...

Blog do Alok: O jogo esquecido: Por que a Rússia é Inimigo #1 pa...: 5/8/2017,  Vladimir  Gujaničić,  Fort Russ  ( J. Arnoldski. Ed.) Quantas vezes ao longo de meses recentes ou ...

segunda-feira, 31 de julho de 2017



                                    

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

sábado, 17 de dezembro de 2016

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016



         somos todos palhaços

​Observe e você reconhecerá pessoas  que por falta de inteligência ou cultura simplesmente não conseguem  ver o todo do enunciado de uma equação, de um problema, ou de uma situação.


Com todo o respeito que o cargo merece (eu disse o cargo)  parece ser o caso de Sérgio Moro.

As investigações da lava-jato que até agora aparentemente só penalizaram um partido, leva a crer que nosso juiz tem carência dos dois.

 Nenhum homem, com um pouco de leitura e conhecimento, conduziria ou deixaria conduzir as investigações da lava-jato desta maneira tão sujeita a críticas e dúvidas quanto a sua natureza tendenciosa e política.
  
Acredito que o inferno esteja cheio de gente com boas intenções, mas nem isto se nota em suas atitudes. 
  
   Acredito também, sinceramente que Sergio Moro será mais uma vítima desta tremenda arapuca construída pelos verdadeiros ladrões deste nosso Brasil. 

Quando chegar a hora (e vai chegar) receio que seja, depois de devidamente usado; descartado. 

Provavelmente com um belo nariz de palhaço.

sábado, 30 de julho de 2016

                                     
                                                                     Neruda Os Comunistas


... Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido... Estou contente... Os comunistas constituem uma boa família... Têm a pele curtida e o coração valoroso... P
or todo o lado recebem pauladas... Pauladas exclusivamente para eles... Vivam os espiritistas, os monárquicos, os aberrantes, os criminosos de vários graus... Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos... Viva o cão que ladra e que morde, vivam os astrólogos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camarão, viva toda a gente menos os comunistas... Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que não lavam os pés ideológicos há quinhentos anos... Vivam os piolhos das populações miseráveis, viva a força comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva André Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo... Tudo está bem... Todos são heróicos... Todos os jornais devem publicar-se... Todos devem publicar-se, menos os comunistas... Todos os políticos devem entrar em São Domingos sem algemas... Todos devem festejar a morte do sanguinário Trujillo, menos os que mais duramente o combateram... Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval... Há disfarces para todos... Disfarces de idealistas cristãos, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas... Mas, cuidado, não deixem entrar os comunistas... Fechem bem a porta... Não se enganem...

Não têm nenhum direito... Preocupemo-nos com o subjectivo, com a essência do homem, com a essência da essência... Assim estaremos todos contentes... Temos liberdade... Que grande é a liberdade!... Eles não a respeitam, não a conhecem... A liberdade para se preocupar com a essência... Com a essência da essência...
... Assim passaram os últimos anos... Passou o jazz, chegou o soul, naufragámos nos postulados da pintura abstracta, abalou-nos e matou-nos a guerra... Deste lado tudo continuava igual... Ou não continuava igual?... Depois de tantos discursos sobre o espírito e de tantas matracadas na cabeça, alguma coisa continuava mal... Muito mal... Os cálculos tinham falhado... Os povos organizavam-se... Prosseguiam as guerrilhas e as greves... Cuba e o Chile tornam-se independentes:.. Muitos homens e mulheres cantavam A Internacional... Que estranho... Que desconsolador...

Agora cantam-na em chinês, em búlgaro, em espanhol da América... É preciso tomar medidas urgentes... É preciso proibi-lo... É preciso falar mais do espírito... Exaltar mais o mundo livre... É preciso falar dar mais matracadas... É preciso dar mais dólares... Isto não pode continuar... Entre a liberdade das matracas e o medo de Germán Arciniegas... E agora Cuba... No nosso próprio hemisfério, na metade da nossa maçã, estes barbudos com a mesma canção... E para que nos serve Cristo?... De que maneira nos têm servido os padres?... Já não se pode confiar em ninguém... Nem nos próprios padres... Não vêem os nossos pontos de vista... Não vêem como baixam as nossas acções na Bolsa...

... Entretanto trepam os homens pelo sistema solar... Ficam pegadas de sapatos na Lua... Tudo se esforça por mudar, menos os velhos sistemas... A vida dos velhos sistemas nasceu de imensas teias de aranha medievais... Teias de aranha mais duras que os ferros das máquinas... No entanto, há gente que acredita numa mudança, que praticou a mudança, que fez triunfar a mudança, que fez florescer a mudança... Caramba!... A Primavera é inexorável!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

 



                                                 O CAVALO DE TROIA  DO JAIRO.

Veio dentro de uma caixa de madeira.

Na parte frontal da caixa, um belo trabalho pintado, que reconheci imediatamente.

Abri com cuidado, pois poderia ser perigoso. Aliás, sua obra literária, toda o é.

De dificil digestão, requer paciência e tempo. Um pouco de encantamento ajuda porque boa parte de sua escrita é numa linguagem sua. Inventada.  Se quem estiver lendo for um Xamã, aí sim. fica bem mais fácil.

Digo isto porque Jairo Pereira é sem dúvida dos últimos malditos de uma safra em extinção de escritores paranaenses.

Seu último livro- Arijo- O Anjo Vingador dos Poetas recusados- Este que acabei de receber, sei que, como o cavalo do título, está com seu ventre cheio de anjos, demônios, querubins, bruxos, sacis, maldições e muita beleza esperando que eu os solte...

                             

terça-feira, 8 de março de 2016

      

                Que País é Este? II
            Pra quem não leu os livros de Laurentino Gomes: 1808, 1822 1889, que contam nossa história sem maquiagem, aí vão alguns comentários que talvez ajudem a entender melhor nosso momento atual.
            Em 1808 a Família Real Portuguesa veio pro Brasil fugindo de Napoleão, cuja proposta bélica era acabar com as monarquias. Em 1820 a Família Real volta para Portugal e deixa seu filho, D. Pedro I que, dois anos mais tarde, proclama a independência do Brasil. O “mentor” da Independência foi José Bonifácio de Andrada e Silva, que, com sua habilidade, conseguiu manter unido o território todo. Para isto, teve que manter a escravatura. Ele seria um abolicionista, mas se libertasse os escravos naquele momento, perderia o apoio dos proprietários de escravos e seria um desastre. Foram 66 anos de escravidão! Que preço!
            Nossa independência dependia da Marinha; como éramos muito fracos no mar, o Imperador contratou um experiente corsário inglês (ou escocês?), que assegurou nossa vitória marítima. Como o novo governo brasileiro não honrou, em dinheiro seu compromisso (pois ele era um mercenário), o corsário “fugiu” com um de nossos navios como pagamento.
            Nossa República não nasceu de uma vontade popular e sim dos militares que estavam descontentes, e a eles se aliaram os proprietários de terras que, com a abolição, haviam ficado sem mão de obra.
Nossa República iniciou-se toda viciada, cheia de tramoias. Mineiros e paulistas criaram a tal dobradinha Café com Leite, em que negociavam quem seria o próximo Presidente da República. Quem conseguiu acabar com essa trapaça? Um ditador: Getúlio Vargas, que, com a CLT, impôs algum respeito ao trabalhador.
Para fazer o Brasil crescer, surgiu Juscelino Kubistchek que construiu Brasília e muitas estradas de rodagem, ao preço de uma inflação terrível. Se não fizesse isso em cinco anos, dizia, não iriam terminar sua obra. Ele dizia e tenho certeza de que assim seria. Para se livrar de ameaças das forças armadas, ele, Juscelino, comprou um porta aviões, o “Minas Gerais”, que provocou uma encrenca entre a Marinha e a Aeronáutica, pois o Juscelino não deixou claro a qual das duas forças pertencia o porta aviões. Com isto se livrou das ameaças.
João Goulart, bem intencionado com sua proposta de reforma agrária, não encarou os milicos, que, por trinta anos, fizeram uma das maiores dívidas do Brasil. Quantas obras inacabadas! Eu vi.
O Fernando Henrique, que levou a fama de um plano que não era obra dele, o Plano Cruzado, privatizou, de forma escandalosa, bancos e a Vale do Rio Doce. Como privatizar é do interesse do capital que regula nossa mídia, ninguém criticou nem o levou a julgamento. Ele é elegante, catedrático, escreve bem... Bom moço...
Agora, que um operário revolucionou a política brasileira, dando sua atenção ao povo, isto não interessa aos capitalistas. Como governar para o povo contra tanta oposição que não está nem aí pra povo? Como se assegurar no poder pra poder fazer as reformas? É óbvio que para fazer reformas é necessário tempo e dinheiro.
E nossa composição política? Quem muda isto? Democraticamente, com este Congresso? Nunca! Vai ter que vir um novo ditador...
E aí que a cobra vai fumar!
miguel angelo

sábado, 5 de março de 2016


            Que País é Este?
            Nós, seres humanos, somos muito contraditórios. Certa vez fiquei horrorizado ao ver gado sendo abatido para o corte; passei um tempo sem comer carne, mas, aos poucos, sucumbi a uma carne bem temperada e, de preferência, sangrando. Procuramos esquecer o que nos incomoda: “Não mato, mas se encontrar morto...” É bem assim: somos, uns mais, outros menos, hipócritas; se, não relativamente ao consumo de carne, por algum outro motivo. Será que há alguém que não seja nem um pouquinho hipócrita? Talvez... mas creio que não conheço ninguém.
            Minha versão para “Bode Expiatório” era um pouco diferente, mas aí vai o que encontrei no tio Google: A expressão "bode expiatório" teve sua origem no dia da expiação, como relata a Bíblia. O dia da expiação, era um ritual para purificação de toda nação de Israel. Para a cerimônia, eram levados dois bodes, onde um deles era sacrificado e o outro, o bode expiatório, era tocado na cabeça, pelo sacerdote, que confessava todos os pecados dos israelitas e, os enviava para o deserto, onde todos os pecados eram aniquilados. Ou seja, no deserto o segundo bode morreria também e, com ele, os pecados...
            O bode expiatório adquiriu outras formas. Hoje o Brasil está assistindo a uma bela sessão de hipocrisia: querem a cabeça do Lula e criam todo um aparato policial para levar para depor quem não se recusou a ir. Pegaram o Robin Hood! Pegaram? Ainda não. Desejo que peguem ou que não peguem? Não sei o que será melhor. Se justiça há que ser feita, então que seja feita para todos e não somente julgar quem não tem a imprensa a seu lado, quem não é burguês.
Mas ele humilhou a burguesia. A “doméstica” do burguês agora é diarista e chega de automóvel em seu trabalho. As crianças nordestinas agora vão à escola bem vestidas e alimentadas. A prostituição infantil do Nordeste está ameaçada de extinção. O que a SUDENE não resolveu no Nordeste com seus poços artesianos (que eram perfurados nas fazendas dos “coronéis”), foi resolvido com a simples construção de cisternas que são abastecidas pelos caminhões do Exercito. Isto e, além de outras coisas, é inaceitável. Esse torneiro-mecânico tem que ser apagado de nossa história ou ficar nela como vilão!
Agora vocês, burgueses, o condenam, mas a História já está escrita nos anais do mundo e não há como apagá-la. Lula tirou o Brasil do mapa da fome; isto nem o Getúlio, que foi outro patriota, conseguiu. Quem condenar o Lula vai entrar para a história como o verdadeiro vilão. É que a inveja é cega e mata. Inadmissível admitir-se que um pobre ascenda ao poder  máximo da nação. Assim foi com Cristóvão Colombo que descobriu a América com plenos poderes para administrar, mas com isto feriu a nobreza espanhola, e ele acabou encarcerado.
Com o Lula querem fazer o mesmo. Conseguirão?
Corrupto? Quem for livre de pecado que atire a primeira pedra.
miguel angelo
040316

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015


 Da janela lateral Em Curitiba
 
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