quinta-feira, 19 de setembro de 2013




O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...
Mario Quintana

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


                       LINDO  ALVOROÇO.

            Hoje, dia lindo, quase verão, uma amiga me perguntou: “Será que chegou o verão?” Eu, “medíocre como político”, respondi-lhe: “Creio que ainda teremos frentes frias...” Ela, que desejava que eu lhe prometesse o Sol, fez cara de amuada; continuei “Repara, fulana, se tu, que és uma mulher inteligente, ficas contrariada com esta resposta, como um povo ignaro elegeria alguém que, antes das eleições, dissesse a verdade nua e crua?” Rimos juntos...
Fazia tempo que nada acontecia nesta terra. As privatizações do final do último milênio associadas à revolução tecnológica – computadores pessoais, telefones celulares, cartões de crédito etc. - deram início a uma ciranda consumista que anestesiou o mundo inteiro, que a nada reagia; tanto que andei instigando a que se lesse o livro “Indignai-vos!”, de Stéphane Hessel para ver se alguém despertava para voltar a atuar historicamente.
“A vida vem em ondas como um mar” (Lulu Santos). Estávamos vivendo um recalmão, aquela calmaria, geralmente morna e abafada, que antecede fortes temporais. Estes protestos populares, alegando aumento no preço dos transportes, e, agora, os protestos contra a vinda de médicos estrangeiros, nada mais são que as primeiras ondas anunciando a procela iminente. Pra variar, as explicações para este fenômeno são simplistas e apenas espelham os interesses de cada facção política, pois a muito poucos interessa saber da complexidade dos fenômenos. O estéril jogo de mútuas acusações, típico de uma política pobre, por sua vez consequente de um povo não educado para tal, ofusca qualquer possibilidade de compreensão dos fenômenos.
Num simples “efeito dominó” em que uma peça derruba a seguinte, o fenômeno não se reduz ao fato de uma pedra cair sobre a outra; para que a primeira caísse, foi necessária a vontade de alguém para que a derrubasse. O que moveu essa vontade?
No caso presente, vejo uma infinidade de fatores que teriam levado esse mar de consumidores a uma perplexidade exasperante diante do vazio que se sente após cada nova aquisição: os períodos de “felicidade” cada vez mais curtos, até que passam a nada mais representar, pois, já ao adquirir um novo brinquedo, o consumidor antevê o gosto amargo da frustração iminente, como quem, enjoado de transar com determinado parceiro(a), mesmo assim vai pra cama com ele(a); no dia seguinte está de mau humor. Um povo frustrado é como uma bomba relógio: questão de tempo. Para povo despreparado basta pão e circo; Sair deste círculo vicioso, só mesmo com educação política, nas escolas e nos meios de comunicação.
Até lá, aguentem mentiras, mas façam bastante alvoroço! É perigoso, mas, no fundo, saudável. Bem melhor do que aquela apatia. Mas tentem pensar um pouquinho, olhar um pouco mais longe: isto também é saudável.
miguel angelo

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

                               Acrilico sobre tela. 1m00 x 0m80 -  Vendido  para New York.
 
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