segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Negros que escravizam e vendem negros na África, não são meus irmãos
Negros senhores na América a serviço do capital, não são meus irmãos
Negros opressores, em qualquer parte do mundo, não são meus irmãos…
Solano Trindade

O racismo, adotado pelas oligarquias brasileiras para justificar a exclusão dos negros no período de transição do modo de produção escravista para o modo de produção capitalista, foi introjetado pelos trabalhadores europeus e seus descendentes, que aqui aportaram beneficiados pelo projeto de branqueamento da população brasileira, gestado por aquelas elites.

Impediu-se, assim, alianças do proletariado europeu com os históricos produtores da riqueza nacional, mantendo-os com ações e organizações paralelas, sem diálogos e estratégias de combate ao inimigo comum. Contudo, não há como negar que o conjunto de organizações sindicais, populares e partidárias, além das elaborações teóricas classificadas como “de esquerda”, sejam aliadas naturais dos homens e mulheres negros, na sua luta contra o racismo, a discriminação e a marginalização a que foram relegados.
No campo oposto do esp ectro ideológico e social, as organizações patronais, seus partidos políticos e as teorias que defendem a exploração do homem pelo homem, que classificamos de “direita”, se baseiam na manutenção de uma sociedade estamental e na justificativa da escravidão negra, como decorrência “natural” da relação estabelecida entre os “civilizados e culturalmente superiores europeus” e os “selvagens africanos”.

É equivocada, portanto, a frase de uma brilhante e respeitada filósofa negra paulistana de que “entre direita e esquerda, eu sou preta”, uma vez que coloca no mesmo patamar os interesses de quem pretende concentrar a riqueza e poder e àqueles que sonham em distribuí-la e democratizá-la. Afirmação esta, que pressupõe alienação da população negra em relação às disputas políticas e ideológicas, como se suas demandas tivessem uma singularidade tal que estariam à margem das conce pções econômicas, de organização social, po líticas e culturais, que os conceitos de direita e esquerda carregam.

As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.

Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação, sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores d os poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites. A tragédia, para estes indivíduos – de ontem e de hoje -, se estabelece quando, depois de cumprida a função para a qual foram cooptados são devolvidos à mesma exclusão e subalternidade social dos seus irmãos.

São inúmeros os exemplos deste descarte e o mais notório é a história de Celso Pitta, eleito prefeito da maior cidade do país, apoiado pelos setores reacionários, com a tarefa de implementar sua política excludente.

Depois de alçado aos céus, derrotando uma candidata de esquerda que, quando prefeita privilegiou a população mais pobre – portanto, negra – foi atirado ao inferno por aqueles que anteriormente apoiaram sua candidatura e sua administração. Execrado pela mídia que ajudou a elegê-lo, a bandonado por seus padrinhos políticos, acabou processado e preso, de forma

humilhante, de pijama, al gemado em frente às câmeras de televisão. Morreu no ostracismo, sepultado física e politicamente, levando consigo as ilusões daqueles que consideram que a questão racial passa ao largo das opções político/ideológicas.

A esquerda, por suas origens e compromissos, em que pese o fato de existirem pessoas racistas que se auto intitulam de esquerda, comporta-se de maneira diversa: foi um governo de esquerda que nomeou cinco ministros de Estado negros; promulgou a lei 10.639, que inclui a história da África e dos negros brasileiros nos currículos escolares; criou cotas em universidades públicas; titulou terras de comunidades quilombolas e aprofundou relações diplomáticas, econômicas e culturais com o continente africano.

Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira e bela história de superação pessoal. Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro.

Com certeza, desde a proclamação da República e reestruturação do STF, existiram centenas, talvez milhares de homens e mulheres negras com currículo e história tão ou mais brilhantes do que a do ministro Barbosa.

Contudo, nunca passou pela cabeça dos presidentes da República – todos oriundos ou a serviço das oligarquias herdeiras do escravismo – a possibilidade de indicar um jurista negro para aquela Corte. Foi necessário um governo de esquerda, com todos os compromissos inerentes à esquerda verdadeira, para que seu mérito fosse reconhecido.

A despeito disso, o ministro Barbosa, em uníssono com o Procurador Geral da República, considera não haver necessidade de provas para condenar os réus da Ação Penal 470. Solidariza-se com as posiçõ es conservadoras e evidentemente ideológicas de alguns dos demais ministros e, em diversas ocasiões procura ser “mais realista do que o próprio rei”.

Cumpre exatamente o roteiro escrito pela grande mídia ao optar por condenar não uma prática criminosa, mas um partido e um governo de esquerda em um julgamento escandalosamente político, que despreza a presunção de inocência dos réus, do instituto do contraditório e a falta de provas, como explicitamente já manifestaram mais de um dos integrantes daquela Corte.

Por causa “desses serviços prestados” é alçado aos céus pela mesma mídia que, faz uma década, milita contra todas as iniciativas promotoras da inclusão social protagonizadas por aq uele governo, inclusive e principalmente, àquelas que tentam reparar as conseqüências de 350 anos de escravidão e mais de um século de discriminação racial no nosso país.

O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do po der de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”.

Não há como saber se a maximização do sonho do ministro Joaquim Barbosa é entrar para a história como um juiz implacável, como o mais duro presidente do STF ou como o primeiro presidente da República negro, como já alardeiam, nas redes sociais e conversas informais, alguns ingênuos, apressados e “desideologizados” militantes do movimento negro.

O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.

Elaborar o maior programa de transferência de renda do mundo, construir mais de um milhão de moradias populares, criar 15 milhões de empregos, quase triplicar o s alário mínimo e incluir no mercado de consumo 40 milhões de pessoas, que segundo pesquisas recentes é composto de 80% de negros, é imperdoável para os herdeiros da Casa Grande. Contar com um ministro negro no Supremo Tribunal Federal para promover a condenação daquele governo é a solução ideal para as elites, que tentam transformá-lo em instrumento para alcançarem seus objetivos.

O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básica s do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.

A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos a quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão p ara transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país.

Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário. Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, di retamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista.


Ramatis Jacino é professor, mestre e doutorando em História Econômica pel a USP e presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


                Segundo o poeta J.B.VIDAL, esta é a melhor poesia feita sobre o chimarrão.


Chimarrão

(Vitor Ramil e João da Cunha Vargas)


Velho porongo crioulo te conheci no galpão
Trazendo meu chimarrão com cheirinho de fumaça
Bebida amarga da raça que adoça o meu coração.

Bomba de prata cravada junto ao açude do pago
Quanta china ou índio vago dá água ao seu pensamento
De alegria, sofrimento, de desengano ou afago.

Te vejo na lata de erva, toda coberta de poeira,
Na mão da china faceira ou derredor do fogão,
Debruçado num tição ou recostado à chaleira.

Me acotovelo no joelho, me sento sobre o garrão
Ao pé do fogo de chão vou repassando a memória
E não encontro na história quem te inventou, chimarrrão.

Foi índio do pelo duro quando pisou neste pago,
Louco pra tomar um trago, trazia seca a garganta,
Provando a folha da planta, foi quem te fez mate amargo.

Foste bebida selvagem e hoje és tradição,
E só tu, meu chimarrão, que o gaucho não despreza
Porque és o livro de reza que rezo junto ao fogão.

Embora frio ou lavado ou que teu topete desande
Minha alegria se expande ao ver-te assim, meu troféu,
Quem te inventou foi pro céu e te deixou pro Rio Grande.

sábado, 20 de outubro de 2012

          
                                    É DURO O BEIÇO DO BURRO.
 No Brasil,de uma hora pra outra passamos a ser o país com a maior quantidade de doutos juroconsultos.Boa parte da população hoje já julgou o mensalão e os juízes do supremo. Todos que condenam os envolvidos no mensalão passaram a heróis.Os que absolvem são bandidos e corruptos. Este povo todo, na maioria gente sem maiores informações alem das quais fornecidas por uma  imprensa frequentemente tendenciosa , transformam-se em" sábios justiçeiros" e emitem, antes que a Suprema Corte, seus vereditos. Mal sabem que seus heróis escolhidos hoje ainda podem mudar seus votos, passando então a serem também execrados, amanhã. Na verdade o que é de espantar justamente o aspecto pontual. Estas mesmas pessoas  só "descobriram" o mensalão agora no mandato do PT. Antes nunca tinham ouvido falar. Nem em Pasta Rosa, nem em suborno da reeleição etc,etc... A direção e a magnitude da imprensa marron repercute em boa parte das pessoas pouco esclarecidas que, indignadas,acabam sempre fazendo seu mesmo papel  e acabam "a serviço" como bom gado que sempre foram, das velhas oligarquias brasileiras..

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012


MANIFESTO DE INTELECTUAIS E ARTISTAS DE FLORIANÓPOLIS
 
 
Por que ANGELA?

 

 

 

DO CULTO À  ECONOMIA  À ECONOMIA DA CULTURA

 

Muito se fala em  Terceiro Milênio, Nova Era e na Sociedade do Conhecimento. Mas poucos se dão realmente conta do que isto significa. Continuam pensando a cidade para trás, não para o futuro. Mas os muros gritam, há décadas, em grafites, pelo mundo inteiro: O FUTURO É AGORA!

Um modelo de cidade contemporânea é Barcelona, na Espanha. Ninguém sabe porquê, mas artistas e intelectuais para lá convergem aos bandos, como convergiu, outrora, para Jerusalém, Atenas, Paris e Nova York. É a atmosfera de futuro que as empolgou: Um clima inebriante de liberdade de ser e de expressar.

É disso que precisamos em Florianópolis: Voltarmo-nos para  um conjunto de Projetos capazes de fazê-la uma cidade inteligente, à altura de sua condição como cabeça do Estado da Bela e Santa Catarina.

Isto não é incompatível com o desenvolvimento econômico.

Pelo contrário, é a fórmula do desenvolvimento sustentável capaz de fazer da vocação natural da ilha um novo produto: Florianópolis, a Capital de uma nova economia, com a cultura como eixo do turismo e do lazer: Grandes Encontros Internacionais de Artes Plásticas, um Polo de Cinema e Vídeo, um Festival Sul americano de Poesia e Literatura, uma Califórnia de Motivos Europeus, Espaços de Criatividade e Lazer Cultural, uma Competição Nacional de Estudantes de  Tecnologia.

Chega do mínimo, sempre reduzido às necessidades básicas!

Vamos às ideias. A beleza salvará o mundo! E as Artes e artistas  são seus instrumentos!

 

Florianópolis, primeiro turno das eleições de 2012.
 
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