sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ANTONIO MELOS- Artista plástico.


              Viajando pelo Sul do Brasil, apareçe para dar um abraço no velho amigo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Falando em música e cantores brasileiros- Leny Andrade

Oi, Dila

Te roubei três discos quando aí estive. Na verdade, não foram os discos, apenas as músicas, transformadas em mp3. Os três são  da Leny Andrade, cantora que sou amarrado por causa da música "batida diferente".
Somente hoje saí da inércia para escutá-los.
Para me redimir do roubo, vou analisá-los. Por favor, escuta-os de novo e me confirma se não tenho razão,

O primeiro, de Leny e Romero Lubambo. Uma decepção. Essa estória de voz e violão só vale  se o instrumentista é um avião, como o saudoso Rafael Rabelo ou, pensando  com mais distância no tempo, Baden Powel. O Sr. Romero não tem tudo isso. Então o disco fica de uma  mesmice de dar dó. Não consegui ouvir todo.

O segundo, "O melhor de Leny Andrade" também foi escutado com enfado. A música evoluiu muito, desde o século passado. Os americanos nos deram gigantes musicais, como Gershwin e Cole Porter, entre outros. O Brasil forneceu gênios, como Tom Jobim e Marcos Valle, só para citar dois. Desde a "influência do jazz" e da bossa nova, houve grande evolução na  harmonia, permitindo  a geração de arranjos notáveis e criativos. Isso se nota no estilo que se chamou "vocal jazz", onde excelentes cantores (as) são acompanhados de instrumentistas habilidosos, que denotam preparação e técnica.
Ora, voltando para nosso disco, vamos prestar atenção aos arranjos. São todos iguais, como se o arranjador estivesse sem vontade ou preparo de montar a orquestração. Os músicos parecem que tocam sem vontade, apenas para cumprir um compromisso. Vê-se em mais de uma música a mesma sequência melódica nos metais. O piano é um caso à parte. Para começar, não é um piano de verdade, apenas um teclado elétrico, com som desagradável, que Tom Jobim apelidou de aporrinhola. O pianista, embora demonstre uma paixão incontida por Cesar Camargo Mariano, está há anos luz dele. A própria Leny canta sem o seu costumeiro encanto, como se tivesse contaminado com a mediocridade reinante. Ela usa demasiadamente as blue notes, fazendo a sua interpretação soar como um cacoete.
O terceiro, Leny Andrade e Johnny Alf, é uma pérola. Escutei-o com paixão.

Os dois estão nos seus melhores momentos (parece que o Johnny Alf sempre esteve em seus melhores momentos). Os arranjos são bem brasileiros, singelos, mas existe o cuidado de bem vestir cada canção. Há cordas quando se espera que hajam, metais na medida certa. Tudo com muito bom gosto.
Leny canta com alma, nesse disco, inclusive a minha favorita, "batida diferente" ou "estamos aí", não sei mais ao certo.

Bem cumpri minha missão.

Grande abraço
José

                                                                                                   Opinião do Arquiteto José Lisboa-

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

DEMOCRACIA X CAPITALISMO



Zizek: o casamento entre democracia e capitalismo acabou
O filósofo e escritor esloveno Slavoj Zizek visitou a acampamento do movimento Ocupar Wall Street, no parque Zuccotti, em Nova York e falou aos manifestantes. “Estamos testemunhando como o sistema está se autodestruindo. "Quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou". Leia a íntegra do pronunciamento de Zizek.
Slavoj Zizek
Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.
Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.
Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.
Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”
Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.
Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?
Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”
É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: dando tinta vermelha a todos nós.
Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.
Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?
Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão trabalhando para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura.
Vão tentar transformar isso num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremos ele de volta.
Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.
A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os meios de comunicação. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.
Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.
O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.
Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado

domingo, 1 de janeiro de 2012

NATAL ?? então é isso...


A profusão de propaganda do "compre que é natal" modificará para sempre o real sentido da data. Observei durante boa parte do mês de novembro e dezembro, anuncios e peças publicitárias e não vi , em nenhum momento qualquer referência, daquelas que se faziam antigamente, vinculando o nascimento de Cristo,data magna cristã, etc,etc. O apelo agora é simplesmente COMPRE. Compre porque é natal. Natal É casa nova,roupa nova,carro novo, móveis novos e toda a tranqueira que se possa vender. Numa brincadeira que começei com crianças ,perguntando - O que é o natal? já foi significativa. De 18 crianças ,acredito que nenhuma com mais de 10/12 anos disseram espontaneamente ou realmente não sabem o que é a comemoração desta data . TODAS  associaram a "Papai Noel" e a "GANHAR PRESENTES". O nascimento do Menino já era. Já perde de 10 x 0 pro Papai Noel. Por mim ,tudo bem. Morre um mito e nasce outro. Mas dá pra se ter uma idéia da velocidade em que estamos trocando o ludico pelo material. Façam bom proveito!
 
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