quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Plebe Maldita: Guido Rocha

                                                                       GUIDO ROCHA                                                                                                                             

Plebe Maldita: Guido Rocha:   Guido Rocha nasceu na cidade do Serro em Minas Gerais em 22 de setembro de 1933.      Escultor, sociólogo, ...

sábado, 27 de agosto de 2022


                                                          ​MINHA HISTÓRIA


Era começo de noite de um dia frio.
Minha mãe, minha irmã e eu, ambos ainda adolescentes, entramos em um trem com malas feitas às pressas rumo ao desconhecido.
Viajamos a noite toda para ​  outr​a ​pequena cidade do interior, já no planalto do Rio Grande do Sul onde depois de esperar ​um dia ​em uma rodoviária pequena,comendo sanduíches, pegamos outro ônibus e viajamos mais uma noite inteira.
Chegamos em uma pequena cidade no interior do Paraná, onde eram poucas ruas calçadas, não tinha sinal de televisão e os telefones eram escassos.
Fomos acolhidos por parentes. Nosso pai apareceu três meses depois, com apenas a roupa do corpo.
Tínhamos perdido tudo.
Uma chácara onde criava galinhas e porcos e o melhor restaurante da cidade, automóvel, tudo vendido às pressas por qualquer dinheiro a "amigos" que aproveitaram a ocasião .
Logo um primo, dono de um jornal me arrumou um emprego, meu pai foi trabalhar como vendedor de máquinas agrícolas e a vida começou a tomar jeito.
Meu pai era um dos milhares de brasileiros que foram ​perseguidos​ por ser​em ​ brizolista​s​. Uma das milhares de vozes caladas por protestar contra a conspiração militar.
Contra um homem tão ​"​perigoso ​"​como era meu pai, assisti o exército colocar uma barricada de sacos de areia com uma metralhadora e soldados, sobre um cavalete em frente ao seu restaurante.
​Vi várias vêzes meu pai fazendo discursos em praça pública contra a intervenção militar. Vi e assisti amigos, até então de meu pai, ignorant​e ​ou covardemente se acomodarem e se omitirem até mesmo quando ele precisou . Assisti um povo todo que ria e comia na nossa casa, sumir. Parentes com alguma importância social na cidade, baixarem as cabeças.
​​Uma sociedade toda, um povo todo aceitar mansamente o cabresto e o que viria a partir daí.
Nunca mais nos recuperamos.
Meu pai, como a maior parte das pessoas, era um homem sem estudo​,​ bruto e polido por si mesmo. Com muitos defeitos mas tinha o que considero a maior qualidade de todas: Era humano.
Com uma capacidade até doentia de ler muito​, ​sempre que tinha tempo, ​lia ​de tudo em grandes quantidades. Isto fez com que entendesse realmente o que se passava.
Hoje vejo novamente o filme se repetindo. Muitos amigos e parentes, covardes ou ignorantes agindo da mesma maneira que aqueles covardes ou ignorantes amigos de meu pai agiram. A incapacidade de entend​er​ o que realmente se passa não serve como desculpa para tal crime de lesa pátria.
Quando Jango tenta nacionalizar o petróleo, foi a gota final para forças externas intervirem.
O filme que estamos assistindo novamente é igualzinho o que já vi na minha juventude.
A utilização das forças da mídia controlada pela extrema direita, que não é brasileira e a intervenção para que nossas riquezas principalmente o petróleo continue sendo de graça para eles, estão novamente em ação. O uso da Igreja que já não é mais a católica, agora com outro nome, manipulada por picaretas e vigaristas usada para fazer a cabeça de milhões de brasileiros, sem cultura, sem leitura, sem capacidade de entendimento,​ ​​e ​também gente egoísta e perversa, gente frustrada por querer e não poder, de desejar e não ter, fazem hoje o mesmo jogo de sempre felizes por serem serviçais num trabalho contra nossos interesses nacionais.
Hoje assistimos a história se repetindo.  Exatamente igual pelos mesmos motivos. E nossa luta continua.
Dilamar Santos

​(P​ara o Ortêncio e o Welcy que ​lutaram nesta trincheira.​)

sexta-feira, 26 de agosto de 2022


 LULA

Por Gustavo Conde

"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica.

Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de "inteligência" nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco. Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana."


quarta-feira, 24 de agosto de 2022


                                                         O CALAR DA SANFONA                       

                                                                                             Marcos Pinheiro-  Poeta manezinho.


Vou contar uma história que aconteceu a muito tempo... 

Exatamente no distante 18 de  agosto de 2022.

Tudo estava calmo em Piranhas, até que chega discretamente um bando, aparentemente desconhecido, no uniforme as iniciais TPM...

Eles sentaram ao lado da mesa de um tal de Altemar, sujeito famoso por estes lados. 

Nos primeiros minutos de praça, pouco antes de pedir um baião de dois, o líder do bando incomodado com a sanfona roncando absurdamente altamente, pediu para baixar. 

O sanfoneiro de nome Ximbóca, subiu nas tamancas.

Parou a música e fez um discurso inflamado, não aceitando qualquer interferência no oficio, mesmo que não isso representasse um espantamento dos clientes do boteco de onde ele se propôs a atrair.

Ao lado, se encontrava o Bando de Lampião com todos os imortais Cangaceiros. 

Acabaram de chegar da Grota do Angicos, Trazidos na ponta dos dedos rio acima pelo Catamaranero Célio de Claudia.

Maria Bonita com desejo de comer Lasanha.

Lampião, um pouco irritado com um cisco no olho bom!

Quando viu seu sanfoneiro preferido sendo enfrentado, começou uma dança riscando os facões no chão, as faíscas alumiaru a escuridão da praça. 

Capitão Nadaredo, vendo o furdunço que se formava, e que cabeças poderiam rolar, 

levantou o dedo, fez um sinal de negativo para o sanfoneiro, e saiu discretamente para o Porto de Piranhas, onde estava montado o acampamento. 

Trocou de roupa para não ser notado, e foi se abrigar no Solar dos Rodrigues sem sua Amada Galega.

Sentou na vaga cadeira, de onde ouviu muitas histórias do Coroné Celsão. 

Capitã Jackie e Tenente Celsinho do Canto, além do abrigo ofereceram uma costela acebolada com cuscús, coisa mesmo de outro mundo.

A chegada da Galega, deixa o Capitão calmo, após histórias escurtadas pelos dois, descemos suavemente a ladeira, já com a praça às escuras, sem riscos de vida, luminosos e sanfonas desgramadas...

Dia 19 de agosto, cedo, o famoso Carpinteiro e Canoeiro Breno Nazare, chegou na feira com a desculpa de comprar pregos de cobre, começa a espalhar a seguinte notícia:

 O bando do Capitão Nadaredo está lá praz  bandas das aguas brancas do Mateu.

A notícia se espalhou com rastilho de pólvora, chegou até os ouvidos em breve surdos de Ximbóca e seu bando.

Dia 20 de agosto, o bando Nadaredo adentra ao Velho Chico com todo seu balé natatório, assustando as andorinhas, que perdidas atacavam as canoas que acompanhavam os Nataceiros. 

Capitão Nadaredo regia a sinfonia a bordo da Canoa do Tenente Animal. 

Chegam a Entremontes, onde o povo tenenteado pela Tenente Marlene Sorriso, esperava de braços e pote de frutas abertos. 

Na tarde do mesmo dia, Tenente Isaac Bezerra, recebe a seguinte mensagem do Catamaranero Hugo de Zéfinha ....

 TEM BOI NO PASTO, A CERCA ESTÁ FECHADA, NÃO VAI FUGIR. 

Era a mensagem codificada, que significava que o Sanfoneiro estava na praça e não sairia tão cedo.

Tenente Isaac Bezerra, rapidamente reúne seu bando, o maior bando já visto por estas bandas, na frente na praça da Prefeitura.

O bando contou com presença da banda de Pífanos de grande mestre  Willamys.

O bando e a banda com todo o comando e imensidão de Nataceiros desce triunfalmente as ladeiras paralelepitadas de Piranhas.

Todos prafrentemente, caminhando, cantando derramando lagrimas de deixando liso a pedra alisada pela história. 

E quando chega na praça, o sanfoneiro dedilhava os últimos acordes para começar a altaria...

A comitiva dos sorrisos estaciona em frente a sanfona, a zabumba, o triangulo e começa espalhar alegria para todos os cantos da praça, menos para o contrariado sanfoneiro. 

Sim, parecia uma vingança premeditada, nas foi totalmente sem querer querendo. 

O sanfoneiro senta e chupa um picolé de mangaba! 

O bando segue prafrentemente até a glória para receber os CHUCAIOS DA VITÓRIA...


 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

AS VIUVAS DE 5ª FEIRA.

 



Pode parecer “apenas mais um filme bom... de suspense”. Na verdade não é bem um “filme de suspense”: o suspense é criado no início com uma cena chocante: três mortos numa piscina. Depois, uma vida vazia de sentido, onde a coisa mais importante é ter dinheiro e “parecer” importante, vencedor. Confesso que perdi muitos detalhes da trama, o que não é novidade, pois sou lento para entender assuntos complicados, intrincados..., mas senti profundamente o vazio dessa vida artificial, tanto que não me choquei com o desfecho.

Você já leu Sidarta, de Hermann Hesse? É uma bela ponte para entender este vazio existencial de muitos abastados. É na luta pela sobrevivência, na luta por justiça social – na ação social – e não na constante contabilidade dos ganhos que a vida adquire algum sentido. Entre a vida miserável e a tediosa, não sei qual a pior: são dois extremos e, simultaneamente, duas desgraças. Enquanto os primeiros sofrem no corpo, uma dor identificável, os últimos sofrem um vazio invisível que tentam contornar, geralmente com fármacos.

O pior de tudo é que há uma cultura que tenta sustentar esse status: as aparências, que geram uma competição silenciosa, onde a inveja predomina e, como consequência, gera uma insegurança que, por sua vez, cria pesadelos. É o espaço onde você não sabe quem é de fato amigo. 

Conheci alguém que vivia algo parecido com o “filme”, e que enfatizava os números. Quando voltava de suas viagens a primeira coisa que contava era quantos km havia percorrido. Fazia uma festa e o que primeiro contava (para quem não foi...) era quantos haviam estado presentes. Desisti de ser mais um número em sua lista... Não é “má pessoa”, mas pra mim não serve; quero ser um pouco mais que simples estatística.

É isto: viver é naturalmente um estado de risco, uma busca, um alegrar-se com um sorriso ou levar alegria a quem sofre. Sei lá! Mas não me venham com essa loucura do ter sempre mais. Alguém, um dia, me disse ao pé do ouvido: “Tenho espírito de vencedor”. Eu, para não criar mais problemas, para resolver uma situação de conflito, cedera e ele me vem dizer aquilo! Abandonei-o definitivamente e ele foi o derrotado. Era um tipo como o tal “vencedor” do filme. Portanto:

CUIDADO!!! Não comigo, mas com a vida, que dá voltas...

miguel angelo

quarta-feira, 1 de junho de 2022


 Alguém aí, sabe??

terça-feira, 2 de novembro de 2021

 

                                       



                                 O DIFICIL DA CONVIVÊNCIA COM FACISTAS.

               O crescimento do facismo e da violência tem vários motivos. Mas talvez o maior de todos seja que esquecemos da importância da intevenção do Estado neste caso representado pela justiça, na não interfererencia em situações nítidas e claras de  estelionato moral e legal contra a população.

     O povo brasileiro não é mais ou menos inteligente do que qualquer outro povo e assistimos diariamente a disseminação de mentiras e criação e divulgação de falsidades sem nenhuma fiscalização. O Eixo moral de uma sociedade é algo difícil de ser determinado mas existe sim um ponto de convergência em que o moral e o humanismo se encontram.  E é facilmente identificável, basta se ter um mínimo de valores sociais e humanos. A busca sem limites pela obtenção de poder ou seja lá o que for, rompe qualquer limite de decência social.

O Estado é cumplice ou conivente cada vez que permite por exemplo que um vigarista travestido em político ou líder religioso, use de seus atributos ou talentos de convencimento para converter pessoas a seus interesses, muitas por pura ignorância, outras por ingenuidade e também por interesses próprios.



 

domingo, 19 de setembro de 2021

Blog do Gert Schinke: Revendo Entrevista com Gert Schinke- Fraude das te...

Blog do Gert Schinke: Revendo Entrevista com Gert Schinke- Fraude das te...: Palestra e Entrevista com Gert Schinke- IELA no lançamento da primeira edição do livro Radio Campeche

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Felisberto Hernández, um autor com mais defensores que detratores

Na trilha da Memória de Felisberto Hernández  - Por Denise Sabino Villanova  - Doutoranda em Literatura Hispano-americana pela Universidad de Salamanca

   

Está na hora de conhecer Felisberto Hernández - poucos escritores tiveram uma trajetória tão cultuada e marcante. Gênio, pioneiro, visionário, inovador ou louco - alguns dos adjetivos atribuídos a ele. Qual o descreve melhor? Ou mesmo todos? E mais: indecifrável, enigmático - todos estes  adjetivos se aplicam a ele. Um, com certeza, merece: essencial. Indispensável. Auto-didata, com interesse por psicologia e filosofia, foi uma espécie de outsider, criador de uma categoria inédita na litertura mundial. E que não se espere pelo nome da categoria. É simplesmente, “felisbertiana”, única e, ao mesmo tempo, paradoxalmente universal. Ler sua obra é compreender as palavras além de uma única realidade, significado e interpretação.  

Mesmo que, por muitos, pertencente ao gênero literatura fantástica, Felisberto, - como era conhecido -, era um perspicaz observador da realidade. Mas a "dita" realidade pode ter diversas camadas. Cada um pode  sentir os fatos de diferentes maneiras. O universo de Felisberto está cheio de pluri-significados.      

Elevado a categoria de mito, Felisberto é relativamente desconhecido das massas, mesmo em seu país de origem. Nasce em Montevidéu em 1902 (falece em 1964) e a partir de 1925 começa a escrever. Ajudado por alguns amigos intelectuais, publica seu primeiro livro, Fulano de Tal. Frequentava classes de piano em criança, fato que registrou em contos como Nos Tempos de Clemente Colling (1942), sobre seu professor, um músico francês cego, Clemente Colling e O Cavalo Perdido (1943), descrevendo sua professora Celine Moulié e a sala de sua casa, inspiração de profundas e insólitas sensações.      

Para ganhar a vida, Felisberto lecionava piano, tocava em concertos pelo Uruguai, Argentina e Brasil e acompanhava filmes mudos ao piano. Exímio pianista, tinha composições próprias, como Primavera (1922), feita para sua primeira esposa, María Isabel Guerra, mãe de sua primeira filha, Mabel. Divorciado de sua segunda esposa, a pintora Amalia Nieto, mãe de sua segunda filha, Ana María, Felisberto conhece em Paris a terceira de suas quatro esposas, a espanhola África de Las Heras, também conhecida como María Luisa e Pátria. Era espiã da KGB - participou até mesmo dos planos do assassinato de Trotski no México - e precisava de um álibi para criar uma célula de espionagem na América do Sul. Felisberto era anti-comunismo, fachada perfeita para uma espiã da União Soviética. Instalam-se em Montevidéu, ela trabalhando em seu elegante atelier de costura. Aparentemente, Felisberto nunca soube da verdadeira ocupação de África.   

Foi “acusado” por alguns críticos de ter vocabulário muito simples, limitado para alguns intelectuais, por sua falta de estudos acadêmicos. Porém não era, de forma alguma, simplista. Ele narra de maneira coloquial os acontecimentos, como se contasse uma estória, transportada para o papel em “dialeto felisbertiano”. Sua digressão convida o leitor a interromper o tempo lógico - diz Felisberto em La Envenenada (1931): “Interrompa a leitura deste livro o maior número de vezes possível: é quase certo que o que você pense nestes intervalos seja o melhor deste livro”.     

Um “escritor único, com um estilo que não se parece a nenhum outro”, nas palavras de Ítalo Calvino no prefácio da edição italiana (1974) de Nadie encendía las lámparas (1947), Felisberto apresenta, sim, um estilo inconfundível: nem literatura fantástica, nem realismo mágico, embora seja o estilo em Las Manos Equivocadas (1946), e menos ainda biografia. Felisberto é simplesmente Felisberto, gostem os críticos ou não. Talvez a sua unicidade resida na maneira como ele descreveu a relação pessoas-objetos e sentimentos, numa dimensão diferente da qual estamos acostumados/anestesiados: uma conexão entre mente-matéria, tempo-espaço, tangível-intangível e real-surreal, com uma técnica de desmontagem e fragmentação do mundo narrado através de suas memórias, mostrando a vulnerabilidade dos sentimentos de objetos, que são animados, como na palavra anima - alma, em latim. São carregados de emoções, obsessões e enfermidades humanas, como no conto As Hortênsias (1949), através de voyeurismo, fetichismo, parafilia e pigmalionismo. Sua obra não trata apenas de (desumanizar) seres humanos, nem de (animar) objetos, mas, simplesmente, de uma nova perspectiva sobre a vida, Seu mundo é real. O que o leitor sente com seus contos depende do que cada um vive. Cada personagem, objeto e estória encontra um autor em Felisberto. É a sua forma de sentir a vida e transpor seu mundo para seus textos e o eu-fragmentado que faz Felisberto ser Felisberto. A obra de Felisberto é realmente um ser que (se) emociona, desconcerta e vive.  

Voltamos à pergunta "gênio, visionário ou louco"? Indefinido? O leitor o dirá. Felisberto seguirá sendo Felisberto, um dos maiores autores de língua espanhola do século XX.  

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Giuliano Girondi
O vazio que há em nós!
Explicando Minions
A sensação de vazio é um sentimento primitivo de solidão inerente ao ser humano, que se cresce dentro de nós desde quando vivíamos em cavernas. Pois assim que aprendemos que a nossa sobrevivência dependia de pertencer a um grupo, logo começamos a nos estruturar em células famílires, depois em tribos, e então em cidades.
Nos últimos 100 anos houve uma estrondosa aceleração no crescimento das megalópoles, gerando maiores agrupamentos de pessoas, o que provavelmente tenha gerado um efeito de stress social por ter extrapolado a capacidade maxima de relações que o neocortex do cérebro humano consegue lidar em relacionamentos sociais emocionalmente estáveis. Ampliando assim a sensação de isolamento e estimulado uma maior necessidade de preenchimento.
Um estudo de psicologia evolucionária conhecido como Numero de Danbar explica que a capacidade humana de relacionamento social estável é de no máximo 250 pessoas, sendo 150 o numero confortável, e que ainda num circulo mais próximo e cotidiano essa relação se limita a no máximo 15 pessoas.
Sabemos que a doença do século não é o Covid, é a ansiedade, ligada a incapacidade de lidarmos com excessos de pressão, de relacionamentos e de informação. Ansiedade está intimamente ligada a depressão e stress. Quanto mais cresce a ansiedade, mais cresce nossa necessidade de compensar o desconforto de nos sentirmos incapazes de lidar com tudo sozinhos, ou seja, precisamos pertencer, nos sentirmos aceitos, voltar ao sensação primitiva de quando nos sentíamos seguros nas cavernas.
Ao mesmo tempo esse, quase fisiológico desejo de pertencimento também é o responsável pela liberação da ocitocina quando nos sentimos amados e em familia. É a resposta química do cérebro que causa a sensação de saciedade emocional. O problema é que este mesmo mecanismo quando em desequilíbrio, pode ficar desesperado pelo preenchimento dessa necessidade primal, se tornando um terreno fértil pra qualquer tipo de fanatismo!
Esse é um fator comportamental que pode ser manipulado usando algoritmos nas redes sociais com muita facilidade. Alem disso, o efeito das redes sociais que ampliaram nosso circulo re relacionamentos de forma rápida e desproporcional, também influenciou muito nesse comportamento.
Quando vc junta isso com fatores culturais e circunstanciais, o efeito pode gerar Minions de todos os tipos!
Cada um de nós deveria ser capaz de avaliar sua capacidade de enxergar através da fumaça e reconhecer isso, mas não funciona assim, sabemos. Mesmo pessoas que podem ser consideradas inteligentes não estão livres disso, pois sabemos que o cérebro primitivo está num nível fisiológico bem mais baixo do que a mente racional, ou seja suas decisões são comandadas pelo seu primata interior.
Sobre o contexto das circunstâncias vale ler a primeira parte dessa entrevista que o filósofo francês Gilles Lipovetsky concedeu em 2009 baseada no livro lançado em 1983 "A era do Vazio" não poderia ser mais atual.
https://domtotal.com/periscopio/237/2009/02/a-era-do-vazio/
Giuliano Girondi

terça-feira, 31 de março de 2020



Quarentena: Imperdível Oportunidade para Reflexão











Há quanto tempo se fala no “Colapso”? Pois é, gente, ele chegou de carona num vírus. Quem diria? Hem? Esperávamos, quem sabe, um ataque de extraterrestres, uma guerra atômica, o choque de um asteroide, algo grande... Mas não, nosso “vilão” é invisível para os olhos, como diria Exupéry. Não veio de fora: nós o criamos(?...).
Mas não adianta ficarmos neste “Mea-culpa!”. Agora é aproveitar para ver como é que se pode viver em harmonia com nossos semelhantes. Como a ordem é severa: “Todo mundo isolado em seus núcleos residenciais!”, aproveitemos o ensejo para ver como é viver em tal circunstância.
Quando os humanos viviam nas cavernas ou em hordas, era-lhes indispensável se suportarem mutuamente, pois só em grupo eles seriam capazes de sobreviver às adversidades de então: as feras, dificuldades alimentares, água... Mas os humanos “evoluíram” e, neste processo, se tornaram mais e mais individualistas, egoístas... violentos... A tal ponto que, em suas elucubrações, grande parte (ou maioria) dos filósofos, são de opinião que o homem é naturalmente o maior inimigo do homem. Tal afirmativa se baseia na história, mas a história ainda não terminou, i. é, ainda temos tempo para mais um capítulo: “O pós colapso”.
Sim, esperança... Jamais tive tanta. Vírus não é um inimigo palpável, contra o qual as armas convencionais funcionam. Venha de facão, de canhão ou drone teleguiado e veja se consegue combater vírus. Este bichinho exige a união das pessoas, cuidados mútuos, solidariedade e cooperação. Não dá pra ficar xingando o vírus: perda de tempo. É se concentrar no social, aparando arestas.
Grandes mudanças surgirão no social. Não é apenas uma crise econômica, é muito mais. Se você é religioso, reze que pode lhe aliviar a consciência, mas a cura virá - com toda certeza - da ciência compartilhada. E mais: este vírus é apenas o primeiro... Outros virão e, se a humanidade não aprender algo agora, vai continuar apanhando até aprender... ou ser exterminada.
A coisa é séria, meus amigos: o mundo não vai acabar agora, mas você pode ir exercitando um convívio social menos egoísta, mais compartilhado. Momento para praticarmos o respeito pela sensibilidade do outro; para ouvirmos mais. Ser forte não significa ser capaz de derrubar paredes, mas ser capaz de desfazer barreiras sociais sutis, discutir, negociar situações: Desenvolver a habilidade da comunicação.
Enfim, é tempo para muita reflexão; preparação para o novo tempo que virá a seguir. Sim, porque nunca mais será como antes. Esse consumismo vazio, estúpido, está com seus dias contados. Ou mudamos ou sucumbimos.
miguel angelo

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Uruguai - O que nos une.

Resultado de imagem para uruguai


Marcia Rivera Hernández
28 de octubre de 2019

Los resultados de la primera vuelta electoral en Uruguay, 2019, me entristecieron, aunque el Frente Amplio la haya ganado. Sentí muy injusta la calibración que se había hecho de los afanes y logros de una fuerza política que puso a Uruguay en el mapa del mundo por sus logros en casi todos los ámbitos de gestión gubernamental.  Obstinada investigadora como he sido toda la vida, privilegié hoy analizar los datos de votación a lo largo del país, intentando encontrar pistas para comprender lo sucedido. Algunas cosas me van quedando claras al comenzar a organizar las piezas del rompecabezas con estudios que he ido guardando, observaciones personales de los procesos del país durante 15 años y mucha investigación de datos económicos, sociales y de comportamiento electoral. Esta es una aproximación inicial para tratar de entender lo sucedido, que quisiera compartir con amigos y amigas para estimular una reflexión más colectiva y profunda.

Primero: Tengamos claro que Uruguay tiene el sistema de balotaje más estricto que existe; en pocos otros lugares del mundo se requiere el 50% más uno de votos para ganar en primera vuelta. En la mayoría de los casos en que hay balotaje ese porciento oscila entre 35 y 45% y en otros se condiciona a superar una diferencia del 5% o 10%. En las elecciones de ayer, el Frente Amplio no alcanzó el 50%, aunque le sacó más de 10% de diferencia al segundo más votado, el Partido Nacional. Pero ese porciento fue insuficiente para asegurar mayoría absoluta en los cuerpos legislativos y podría generar dificultades para gobernar si el FA gana la segunda vuelta. Todos los líderes de la oposición –que tienen grandes diferencias entre sí– convocaron a juntarse para la segunda vuelta y sólo hay un mes para la nueva elección.

Segundo: Al analizar territorialmente el patrón de votación encontramos que el Frente Amplio tuvo sus mayores logros en Montevideo y Canelones, los Departamentos con mayor población urbana y donde se concentra su militancia política, así como la actividad económica y cultural del País. Mucho me sospecho que, en el proceso de gobernar, el FA como fuerza política redujo significativamente su capacidad de seguir haciendo educación ciudadana en todo el territorio. Tampoco parece haber podido realizar una campaña extensa para dar a conocer los logros, la expansión de derechos y oportunidades, para discutir con la gente las nuevas propuestas y para hacerlas partícipes de un proceso de transformación que sigue y debe seguir en marcha.  Ello fue fatal porque pareciera que no se logró que la población del interior conozca bien y valore cabalmente las enormes mejoras económicas y sociales de los pasados 15 años, que han sido ampliamente reconocidas internacionalmente. La lección fundamental que de esto se deriva es que la educación ciudadana siempre tiene que hacerse, aunque se esté en el gobierno. Además, que la gestión gubernamental no puede estar divorciada de la generación de una cultura política cada vez más profunda, renovadora y vital. Hay que poner en marcha un proceso dialéctico de gestión y educación ciudadana; de lo contrario el quehacer político se asfixia o se trivializa y la gestión estatal se burocratiza.

Tercero: Los resultados electorales develan procesos de intervención que se iniciaron desde el primer triunfo del Frente Amplio. Desde que el FA ganó las primeras elecciones en 2004, comenzó una progresiva penetración del fundamentalismo religioso de la mano de los EEUU, que enviaron al País a centenares de misioneros, como hicieron a otros países de la región. Pocos líderes del Frente Amplio le prestaron atención al asunto, aduciendo que Uruguay es un país genuinamente laico y que no acogería esa tendencia. Sin embargo, ya en las elecciones de 2014 el Partido Nacional había elegido dos legisladores que abiertamente expresaron haber sido apoyados por comunidades religiosas y deberse a ellas.  Hace cerca de un año, en la ciudad de Melo, no muy distante de Brasil, pastores evangélicos conservadores y pentecostales marcaron presencia política en el espacio público con la instalación del Monumento a la Biblia. Esa movida fue facilitada por caudillos políticos de derecha del interior del Uruguay. Poco después, pastores pentecostales y apóstoles convocaron a una marcha “por la familia”, que en el caso de Montevideo partió desde la “Plaza del Ejército” y llegó al Palacio Legislativo para protestar por “la ideología de género”.

Hay muchos indicios en la votación de ayer de que estos grupos se han expandido y anidan ahora en Cabildo Abierto, un colectivo derechista fundado por un General retirado, excomandante en jefe del Ejército uruguayo, que aún estaba en funciones cuando se lanzó al ruedo político. Testimonios en la prensa uruguaya de militantes de ese partido hacen referencia a la imperiosa necesidad de derrocar al Frente Amplio porque “está poseído por el diablo”, o porque “nos lleva directo al infierno”.  No hay que olvidar que el FA asumió la afirmación y expansión de derechos humanos y civiles como uno de sus objetivos y aprobó legislación para aborto seguro, matrimonios igualitarios, estableció programas para salud sexual y salud reproductiva, entre muchas medidas de equidad de género, que suelen ser detestadas por el fundamentalismo religioso. El brazo operativo de los Estados Unidos para incrementar la penetración del fundamentalismo religioso en Uruguay y todo el mundo es Capitol Ministries, una organización establecida en la administración de Donald Trump, que llegó a Uruguay para trabajar con la clase política de derecha hace cerca de un año.

A pesar de que falta investigar más a fondo, no es de extrañar que Cabildo Abierto se asociara a este esfuerzo y consiguiera en tiempo récord hacerse con más del 10% de los votos en los comicios presidenciales y legislativos de ayer. Vale recordar
que lo mismo ha sucedido en procesos electorales recientes en toda la región, donde se ha arraigado un fundamentalismo ligado a la “teología de la prosperidad”. Esa nueva religiosidad conservadora, que incluye también una renovación del Opus Dei en la iglesia católica, rechaza de plano las propuestas progresistas de organizar una sociedad sobre la base de equidad y derechos humanos. 

Cuarto: Como pasa en todo el mundo, los cambios tecnológicos están redefiniendo el mundo del trabajo y del empleo; Uruguay no es excepción. Aunque pueda estar mejor preparado que otros países en el uso de las nuevas tecnologías, porque se está haciendo formación intensiva en ello, el País todavía está en etapa de transición y hay mucho temor por la generación de puestos de trabajo. Los candidatos de la oposición ofrecían crear trabajo como si se tratara de algo sumamente sencillo.  A eso se añade que en los últimos años Uruguay ha tenido una política abierta y solidaria de recibir migrantes, particularmente del Caribe, que han llegado en números importantes desde Venezuela, República Dominicana y Cuba.  Una militante de Cabildo Abierto resumió ayer su sentir a un medio: “Estoy muy cansada de que la gente no tenga una fuente de trabajo y que vengan los extranjeros y ellos sí tengan las puertas abiertas para trabajar. Me parece que Uruguay es muy chiquito como para dejar su gente de lado y traer a otras personas.” Con toda probabilidad el Frente Amplio no reconoció la importancia de explicar bien a la población de todo el país por qué es importante para una sociedad envejecida recibir jóvenes bien formados y en edad de reproducirse, a fin de ir corrigiendo el desbalance demográfico que tiene. Otra vez, faltas de comunicación y educación ciudadana, pueden estar tras la pérdida de votos por la incertidumbre sobre la creación de empleos y el papel de los emigrantes para el desarrollo futuro del Uruguay.

Quinto: La inseguridad ciudadana es un problema que recorre al mundo hoy. Pero en Uruguay, una sociedad históricamente tranquila, que ha generado y distribuido bastante bien la riqueza, donde hay un buen nivel de equidad y acceso a oportunidades, el tema de la seguridad ha advenido a ser una gran preocupación, a pesar de que los datos de delitos no son  significativos en comparación con otros países. Desde hace meses, y usando un mecanismo constitucional de consulta ciudadana, Jorge Larrañaga, el segundo líder del Partido Nacional había recogido firmas que obligaron a hacer una consulta plebiscitaria dirigida a endurecer y militarizar la seguridad ciudadana. Para aprobarse debía juntar el 50% de endosos en la consulta de ayer y no logró llegar a esa cifra.  Pero los meses de discusión de la propuesta y el respaldo que dieron los medios de comunicación a la misma hicieron que todo el país escalara su valoración de la seguridad como problema y responsabilizara al Frente Amplio por ello. Los datos del Observatorio Nacional sobre Violencia y Criminalidad del Ministerio del Interior están actualizados y disponibles para todo el público en la web y reflejan un buen nivel de efectividad por parte de la Policía Nacional y una reducción de los homicidios debido al progresivo mejoramiento de las estrategias de prevención, al esclarecimiento y al procesamiento de casos. Pero, el hecho de que el Ministro de Seguridad – que a juicio mío y de muchas personas ha realizado una labor excepcional – haya estado diez años en el cargo, llevó a mucha gente a reclamar que se necesitaba un cambio. El sonsonete del cambio se convirtió en ruido y el ruido seguramente en votos contra el Frente por el tema de la seguridad, desconociendo el importante trabajo que se ha realizado.

Sexto:  Según todos los comentaristas en los medios uruguayos, las perspectivas del Frente Amplio de cara a la segunda vuelta son negativas, dado el anuncio de coalición que hicieran los partidos de oposición al final de la noche.  Es innegable que habría que hacer un esfuerzo monumental para remontar la diferencia en votos, pero no es imposible. Y estoy convencida de que lo mejor para el Uruguay, y no sólo para el Frente Amplio, es que haya un nuevo gobierno frentista.  Para convertirse en una opción real de triunfo, la oposición tendría que trabajar un proyecto común en muy poco tiempo y las posturas que han sostenido sobre muchos asuntos son bastante diferentes.  No es meramente que cuatro o cinco líderes se pongan de acuerdo; es que las y los militantes de cada fuerza política, que vienen de larga tradición de ser rivales partidistas, acepten ir en esa coalición.  Si no hay un proceso serio de acuerdo, y meramente lo hacen para derrocar al Frente y asumir el poder, poco tardará en llegar la inestabilidad política y el estancamiento económico al Uruguay.  El Frente tendrá una voz fuerte y de ascendencia en los trabajos del Parlamento, así como amplia capacidad de convocatoria hacia las organizaciones sociales y sindicales.  Difícilmente se podrá aprobar legislación derogando derechos adquiridos en los pasados 15 años o cambios fundamentales en las estrategias económicas y las políticas sociales.  Intentar hacerlo, será invitar la protesta masiva, que no tardará de estar en las calles y toda la sociedad  perderá.

Los más importantes organismos internacionales vienen desde hace una década celebrando la manera de Uruguay llevar adelante sus procesos políticos, económicos, sociales y culturales.  Es muy triste pensar que el ruido de las botas, el del neoliberalismo rapaz y el de la injerencia extranjera puedan desestabilizar al hermoso y digno país que es Uruguay y convertirlo en otro lugar de turbulencia permanente, como lamentablemente ha vuelto a ser buena parte de nuestra América, por conflictos generados por intereses que no propenden al bien común. Ojalá Uruguay pueda evitarlo.

domingo, 3 de março de 2019



                      “O exercício obsceno da vingança”.

“Um sinal claro de que nosso desejo legítimo de justiça transformou-se em exercício obsceno de vingança ocorre quando as situações que humanizariam alguém são usadas para ofendê-lo e humilhá-lo. A morte de inocentes não lembra mais nossa igualdade diante da finitude da vida, mas a crueldade dos sobreviventes. Por isso o processo de demonização dos inimigos é infinito. Tudo o que nele o torna como nós, como o fato de que ele tem filhos e netos, que sofre e que ama, precisa ser negado. A impossibilidade de compartilhar qualquer coisa que seja, com este outro. Se Freud estava certo, no inconsciente, vigora a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Disso podemos intuir que aqueles que agora gozam e desejam com a morte de uma criança de sete anos, cedo ou tarde, serão cobrados em dobro, na moeda da culpa, pela sua própria consciência.

Muitos brasileiros hoje se perguntam como é possível defender Jesus Cristo atrás de uma arma, ou usado para apoiar o ódio ou a violência. Poucos percebem que a crença de que todo mal descende de uma pessoa, ou de uma classe de pessoas, é um subterfúgio para liberar o que há de pior em nós. Usar a lei para nos proteger do mal é uma das estratégias mais antigas de pacificação subjetiva. Como se tudo que fosse legal assegurasse nossa moralidade.

Mas o fato é que existem coisas legais e imorais, assim como existe um uso da lei para humilhar e vingar-se do outro. Dentro de todos os impasses que separam e unem a justiça do direito há algumas máximas morais que estão acima de contextos e circunstâncias. O luto e o respeito pelo luto alheio é uma delas.

É o que acontece quando usamos os erros dos outros para nos sentirmos mais puros e justos. Mas o custo subjetivo para manter esta satisfação com a falta do outro pede cada vez. É preciso cada vez mais ofensa e degradação do outro para obter o mesmo efeito de limpeza da consciência.

É preciso cada vez mais maldade no outro para reassegurar nossa bondade. É assim que na história mais mal tenha sido feito em nome do bem do que do mal ele mesmo.

Quanto mais os escândalos de corrupção aparecem do lado do governo, quanto mais laranjas, motoristas e goiabeiras surgem, pior tem que ser o PT e os petistas.
 P
                    sicanalista, professor da USP: Christian Dunker


segunda-feira, 28 de maio de 2018


segunda-feira, 14 de maio de 2018

 
Real Time Web Analytics