quarta-feira, 22 de junho de 2011

DALMO DALLARI - JURISTA- SUPREMA GUARDA DA CONSTITUIÇÃO.



O Supremo Tribunal Federal acaba de tomar duas decisões de grande relevância pelos seus efeitos, mas especialmente importantes porque implicaram a correção de graves desvios de seu relevante papel constitucional e de sua responsabilidade como expressão mais alta do Judiciário brasileiro, padrão de respeito à Constituição e às normas jurídicas vigentes no Brasil. Em sessão de 8 de junho, apreciando, uma vez mais, o caso envolvendo o pedido de extradição do militante político italiano Cesare Battisti, pela maioria absoluta de seus membros, seis votos contra três, o Supremo Tribunal decidiu arquivar um processo de Reclamação que jamais deveria ter sido admitido, por falta absoluta de fundamento legal. A Reclamação é prevista no artigo 156 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, para as hipóteses de questionamento da competência do Supremo Tribunal ou da autoridade de uma decisão sua. Nada disso estava ocorrendo, e a Reclamação foi um artifício utilizado pelos advogados do governo italiano para criar a ilusão de que continuava aberto o caso Battisti e que por isso ele deveria continuar preso. A chicana foi repelida pela maioria dos ministros, e a Reclamação foi arquivada.
Em seguida, na mesma sessão, o Tribunal passou a julgar um pedido de soltura de Battisti, preso em Brasília desde 2007, por determinação do ministro Gilmar Mendes, relator do pedido de extradição formulado pelo governo da Itália. Essa prisão tinha caráter preventivo, visando impedir que Battisti desaparecesse ou fugisse, impedindo a execução da decisão de extraditá-lo, se tal decisão ocorresse. O Supremo Tribunal já havia decidido anteriormente, considerando atendidos os requisitos formais para a extradição mas reconhecendo, expressamente, que, nos termos do que dispõe a Constituição, a decisão final é de competência exclusiva do presidente da República. E Cesare Battisti foi mantido preso, à espera da decisão presidencial.
No dia 31 de dezembro de 2010, o presidente Lula tomou a decisão que lhe competia, negando atendimento ao pedido de extradição, fundamentado em dispositivos constantes da Constituição brasileira e do Tratado de Extradição assinado pelo Brasil e pela Itália. Em ocasião anterior, quando o governo brasileiro concedeu a Battisti o estatuto de refugiado, o que posteriormente foi revogado, membros do governo italiano investiram furiosamente contra o Brasil, tendo um dos ministros declarado à imprensa que o Brasil não é conhecido no mundo por seus juristas, mas “por ser uma república bananeira e por suas dançarinas”. A par disso, como foi noticiado pelo jornal italiano La Reppublica, houve manifestações de rua extremamente radicais, com cartazes afirmando, entre outras coisas, que Battisti deveria ser eliminado por ser um terrorista. Evidentemente, se Battisti fosse entregue agora ao governo italiano, correria o risco de sofrer toda espécie de violências. Sem qualquer sombra de dúvida sofreria discriminações e humilhações, e não haveria o mínimo respeito por seus direitos fundamentais e por sua dignidade humana. Foi isso, basicamente, que serviu de base para a negativa da extradição.
E na sessão de 8 de junho do Supremo Tribunal Federal vários ministros ressaltaram a absoluta falta de fundamento legal para a prisão de Battisti a partir de 1º de janeiro de 2011, quando se tornou pública a decisão presidencial negando a extradição. E seis dos membros do Supremo Tribunal, o que constitui maioria absoluta, votaram pela imediata libertação de Battisti. Mais do que isso, diversos ministros ressaltaram expressamente o acerto daquela decisão, lembrando que por disposição expressa do artigo 1º da Constituição brasileira a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República e, pelo que determina o artigo 4º, inciso II, em suas relações internacionais, o Brasil rege-se pelo princípio da prevalência dos direitos humanos.  Assim decidindo, a maioria dos membros do Supremo Tribunal deu importante contribuição para recuperar sua imagem de guarda da Constituição, comprometida pelos que, por motivos e interesses que nada têm de jurídicos, comportaram-se como advogados do arbítrio e da ilegalidade.
 

terça-feira, 14 de junho de 2011

CELULAR TAMBÉM ESTOURA PIPOCA E FRITA OVO??


 Existem vários videos circulando sobre celulares estourando pipocas, ovos  etc, na tentativa de demonstrar um provável dano ao ser humano. Claro que são brincadeiras que muita gente leva  a sério. Vejam o que diz Louis Boomfield , o consagrado professor de Física pela Universidade de Virgínia
Segundo Louis Bloomfield, professor de física da Universidade de Virginia (EUA), o microondas esquenta a água contida dentro do milho, até que ela se torne vapor, fazendo com que o grão estoure. Caso processo semelhante ocorresse quando um usuário faz uma ligação por celular, ocorreria o mesmo com a água presente nos dedos.
“Doeria demais”, afirmou Bloomfield ao site da revista “Wired”. “Telefones celulares provavelmente aquecem seus tecidos, mas estudos indicam que não é algo prejudicial”. Ele também negou que o efeito de vibrações harmônicas pudessem fazer a pipoca estourar.
“Fazer o telefone tocar não ajuda porque eles estão gerando interferências um com o outro, enquanto recebem um sinal –não estão transmitindo [o sinal]. Além disso, apesar de ser possível aquecer utilizando o som, isso não pode acontecer nesse caso por causa do baixo volume do telefone”, afirma. “Seria como unir cantores de ópera para cantar e tentar a pipoca estourar”.
Para resolver o mistério, o especialistas sugeriu à “Wired” que o truque é causado por edições de vídeo ou algum equipamento escondido. A revista levanta a possibilidade de os filmes serem parte de uma campanha de marketing viral, em que marcas, empresas e pessoas usam o compartilhamento e envio de conteúdo pela internet para se promover.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

JUSTIÇA BRASILEIRA



Ponto final no assunto! O Supremo Tribunal Federal decide libertar Cesare Battisti e negar sua extradição para a Itália. O contraponto desta decisão foi a quase unanimidade de opinião na grande imprensa brasileira ao afirmar que nossa justiça está errada! Vários jornalistas, de uma hora para outra, transformaram-se em jurisconsultos de notável saber e condenaram publicamente o já decidido pela Justiça brasileira! É dose. Seria hilário se não fosse trágico! Ver Boris Casoy, tremendo sua papada de indignação, a bancada da Globo, da Record, etc., ultrajados por essa decisão deixando clara sua subserviência a qualquer coisa que venha de fora, babando e fazendo salamaleques para a Itália e sua justiça em detrimento da nossa.  Seu clima de revanchismo tipo “pagaremos caro por isto!” é de fazer um Rui Barbosa revirar no túmulo. Esse tipo de brasileiro bem que poderia pegar suas malas e ir morar na Itália. Aqui definitivamente não contribuem em nada.
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

ATELIER - EXPOSIÇÃO BRDE- DILAMAR SANTOS

        AMIGOS QUE COM SUAS PRESENÇAS ABRILHANTARAM NOSSA VERNISSAGE.












FESTA MUITO BOA, GENTE AMIGA ,NOVOS AMIGOS TUDO PELA LENTE MÁGICA DO RUDI BODANESE.

sábado, 7 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Delicatessen Jazz por José Lisboa



Estava  escutando aquela rádio maravilhosa, JAZZRADIO.COM, sub radio contemporary vocals, quando, mais uma vez, ouvi uma música encantadora, in a mellow tone, com delicatessen. Fiquei curioso, tanta qualidade! Devem ser franceses. Fui investigar. Os caras são brasileiros, mais  precisamente, gaúchos de Porto Alegre. Lavei a alma. No meio de tanta porcaria, um som tão legal. Ainda bem que, lá fora, eles são incensados.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

NOSSAS ESCOLHAS

                                                                                           foto Tania Martins

Recebi do Jack Diniz e gostei.Quanta gente poderia repensar certas coisas??


O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
O coração infarta quando chega a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
 
Preste atenção!

O plantio é livre, a colheita, obrigatória ...   Preste atenção no que você está plantando, pois será  a mesma coisa que irá colher!!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

SAUDE E DIGNIDADE

 Nossa Presidente:

Como mãe de um portador de transtorno mental, amiga de muitos familiares com problema similar, solicito que dirija seu olhar para a rede SUS de atendimento à Saúde Mental: lugares de cuidados, recursos humanos, medicamentos, implantação de sistemas substitutivos considerando as diferenças regionais e a necessidade contínua de cuidados, abrigo e acolhimento para essas pessoas em moradias, em CAPS, em hospitais. E não esqueça de seus cuidadores!
O problema é muito grave: diagnósticos nem sempre criteriosos e, consequentemente, remédios inadequados; consultas psiquiátricas e apoios psicológicos escassos ou inexistentes; Centros de Atenção Psicossociais raros ou faltantes (há locais onde existe apenas o prédio). Quando faltam medicamentos, eles surtam resultando em novas lesões cerebrais e mais sofrimento para todos. E então, onde os leitos em hospitais gerais para internações? Hospitais preparados para atendê-los? Há casos que exigem que os familiares cuidem ali também. Mas com qual energia? Exaustos de tanto cuidar, adoecem junto. São mais despesas com antidepressivos, o que se pode evitar! Nesse momento, é quando a família precisa descansar e se organizar.

As moradias chamadas de "residenciais terapêuticos" ou “pensões protegidas” são caríssimas, precárias ou não existem. Em muitos municípios, não há regulamentação para a atuação da Vigilância Sanitária, logo, a fiscalização é nula. Quando essas casas existem, os pacientes ficam à mercê de cuidadores despreparados (alta rotatividade e escolaridade baixa). A estes também é necessário dar suporte!

               Clique no link e assine o abaixo-assinado


http://ocuidador.com.br/noticias_det.php?id=37

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mahagonny volta ao Teatro da UFSC

Espetáculo “Ascensão e queda da cidade de Mahagonny” retorna ao Teatro da UFSC
Dias 2,3 - 8,9,10 e 15,16,17 de abril, sempre às 21h, no Teatro da UFSC, ao lado da Igrejinha. Gratuito e aberto à comunidade. É preciso retirar convites no DAC, às quintas e sextas-feias, das 14 às 18 horas, ou na bilheteria do Teatro, meia hora antes do espetáculo (sujeito à disponibilidade de lugares).
Depois da estréia no fim do ano passado, volta ao palco do Teatro da UFSC a peça 'Ascensão e queda da cidade de Mahagonny', adaptada da obra do dramaturgo Bertolt Brecht, com direção de Carmen Fossari. Brecht é um dramaturgo cuja visceralidade contribui na formação dos estudantes de Teatro, atores e atrizes novatos, na formação de plateias e aos atores e públicos que já percorrem o universo teatral. A peça, que bem poderia nesta montagem ser denominada 'O que Florianópolis tem a ver com 'Mahagonny', é um texto da obra didática de Brecht da metade do século XX .
A obra teatral do dramaturgo revolucionava e chocava o público teatral, acostumado a um teatro 'bem comportado'. Na montagem original de 'Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny' aquele público encontrava cenas de aparentes insultos, atrevimento, com recursos didáticos, repleta de cartazes, e reveladora de como as cidades, dentro do sistema capitalista, são 'uma arapuca'.
Mahagonny, onde tudo é permitido
Brecht coloca seus personagens construindo uma cidade onde tudo é permitido desde que se tenha muito ouro. O preço de não ter ouro é a impossibilidade de sobreviver na cidade de Mahagonny.
Com composições de Kurt Weill o texto original é uma obra de Teatro Musical, nesta encenação trata-se de uma obra de caráter não musical, embora mantida a belíssima composição tema da peça.
O espetáculo é ambientado ao universo do cinema mudo, inserindo imagens e áudio visual resgatando os anos 30 e 40. Esta opção realiza, em parte, um utópico sonho da diretora e adaptadora do texto, de ter visto um dia Sir Charles Chaplin e Bertolt Brecht sentados numa mesa de bar conversando sobre suas obras: o filme Tempos Modernos e a Peça Na Selva das Cidades.
Brecht, sua dramaturgia e enunciados estão “vivos” em suas ideias ainda tão necessárias num mundo dividido em classes sociais, ricos e pobres, cultos e analfabetos, os que tudo podem e os que nada têm.
Um espetáculo que lança um olhar poético e mordaz sobre o nascimento e queda de uma cidade, movida pelo ouro.
A peça conta com alunos do Curso de Artes Cênicas do CCE, através da disciplina optativa Montagem, e com alunos da Oficina Permanente de Teatro, DAC- SeCArte, e produção do Grupo Pesquisa Teatro Novo, do DAC, que são setores da UFSC.
Elenco
Alexandre Borges (Joseph), Ana Paula Lemos (Jenny), Douglas Maçaneiro (Um tal Bert Brecht), Eduardo Stahelin (Coro Masculino), Iris Karapostolis (Maysa Trindade, Cantora), Jacque Kremer (Leokadja Begbick), Flora Moritz Silva (Procuradora), Laura Gill Petta (Coro Feminino), Luis Tinoco (Jackob), Márcia Cattoi (Coro Feminino), Neivania Theodoro (Coro Feminino), Neusa Borges (Coro Feminino), Priscila de Souza Serafim (Chaplita), Roberto Moura (Heidrich), Robson Walkowski (Paul).
* Segundo a diretora desta montagem, alguns nomes foram trocados para nomes similares em Português. O Procurador e Willy são, nesta encenação, interpretados por mulheres e transformados em personagens femininos. Chaplita e Bert Brecht são criações para a dramaturgia desta encenação.
Técnica
Figurino: O Grupo
Cenário: O Grupo
Operador de Som: Anderson Barbosa
Cartaz: Márcia Cattoi
Fotolito: Michelle Millis
Impressão: Imprensa Universitária da UFSC
Operador de Audiovisual: Ivana Fossari
Sonoplastia: Calu
Apoio: Letícia Costa
Mixagem Som: Sérgio Bessa
Preparação de Canto: Ive Luna
Fotografia: Marcelo Pereira e Calu
Iluminação e Direção Geral: Carmen Fossari
O Teatro da UFSC faz parte do Departamento Artístico Cultural (DAC), da Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

SERVIÇO:
O QUÊ: Peça "Ascensão e queda da cidade de Mahagonny".
QUANDO: Dias 2,3 - 8,9,10 e 15,16,17 de abril de 2011, sempre às 21h.
ONDE: Teatro da UFSC, ao lado da Igrejinha. Praça Santos Dumont, Trindade, Florianópolis-SC.
QUANTO: Gratuito e aberto à comunidade. É preciso retirar convites no DAC, às quintas e sextas-feiras, das 14 às 18 horas, ou na bilheteria do Teatro, meia hora antes do espetáculo (sujeito à disponibilidades de lugares).
CONTATO: DAC / Teatro da UFSC (48) 3721-9348 e 3721-9447 - www.dac.ufsc.br
Fonte: Patricia Siqueira - Acadêmica de Jornalismo - Assessoria de Imprensa do DAC: SECARTE: UFSC, com material do grupo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Ficha Limpa sim, mas com respeito à democracia"


Em primeiro lugar é fundamental destacar a importância da Constituição Federal (CF) e do conceito de “segurança jurídica” para a consolidação da democracia brasileira. Nossa República ainda engatinha, e nossas instituições precisam se fortalecer para que não voltemos a nos submeter a regimes de exceção como a ditadura militar implantada em 1964. A Carta Magna de 1988 cumpre papel imprescindível nesse processo.
Vale lembrar o contexto histórico-político no qual se insere a última Assembléia Nacional Constituinte. O país saía de um regime autoritário que fechou o Congresso Nacional e cerceou a liberdade do povo brasileiro. O texto constitucional foi forjado no calor da reconquista dos direitos democráticos, e pretendeu eliminar as brechas que pudessem permitir um possível retorno às trevas da opressão. 

Chegamos, então, ao conceito de segurança jurídica. Tal valor está intensamente relacionado ao Estado Democrático de Direito. Os princípios que norteiam o ordenamento jurídico devem estar diretamente conectados com os direitos fundamentais, individuais ou coletivos. A defesa da estabilidade desse ordenamento se dá fundamentalmente através da garantia da inviolabilidade da Constituição ou de qualquer uma de suas normas, e se confunde com a sustentação da própria democracia.

Onde a Lei Complementar 135/2010 (Lei da Ficha Limpa) se encaixa nessa discussão? O projeto de louvável iniciativa popular foi aprovado “com o escopo de purificação do mundo político, habitat dos representantes do povo”, como bem ressaltou o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a ânsia pela moralização imediata do processo eleitoral fez com que graves afrontas à democracia fossem embutidas no texto da lei.

Volto a salientar que um mero choque com qualquer valor introduzido na sociedade brasileira pela CF deve ser encarado como uma afronta à democracia. A Lei da Ficha Limpa não peca apenas uma, mas diversas vezes ao ir de encontro com vários princípios constitucionais. Me limito a citar cinco deles, que considero os mais graves.

A primeira diretriz que trago ao debate é o princípio da irretroatividade da lei em prejuízo do réu. Nenhum ato pode ser considerado ilícito se praticado anteriormente a instauração de legislação correspondente. Isso para evitar que determinado legislador utilize de sua posição para perseguir algum adversário político, por exemplo. Ao estabelecer uma punição (a inelegibilidade) para pessoas que foram condenadas antes da publicação da lei, a LC135/2010 fere frontalmente este princípio.

Além disso, há o fato da chamada Ficha Limpa estabelecer punições idênticas para infrações diversas. Nossa Carta Magna estabelece que violações diferentes sejam tratadas pelo sistema jurídico com sanções diferentes. A lei em questão determina, por exemplo, que alguém condenado por corrupção receba a mesma punição que alguém que cometeu um erro formal na prestação de contas de campanha eleitoral. Devemos convir que trata-se de um completo absurdo.          

Falta à Lei Complementar 135 o respeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Como afirmou o ministro Dias Toffoli (STF), “há tratamento assimétrico da lei (...) quando ela limita a restrição ao ius honorum às pessoas nela indicadas (‘o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais’), deixando os demais agentes políticos ou públicos a descoberto”. É como se casuísticamente o legislador estivesse escolhendo as pessoas a serem atingidas pela lei.

Há uma grave afronta ao princípio da presunção de inocência (inciso LVII, do art. 5º da CF de 88), quando se determina como atos ilícitos as renúncias aos mandatos para escapar de cassação. A não ser que um processo alcance a fase de trânsito em julgado, não podemos considerar o processado como “culpado”. O Ministro Toffoli chegou a classificar este ponto como “manifestação de abuso do poder de legislar”.

Por fim, trago à tona o debate que prevaleceu no último julgamento do STF acerca do tema: o princípio da anualidade da lei eleitoral. O Art. 16 da CF de 1988 deixa claro que “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. O questionamento de nossa Corte Suprema foi sobre o fato de a Lei da Ficha Limpa alterar ou não o processo eleitoral de 2010.

sexta-feira, 18 de março de 2011

OBAMA NO BRASIL, SEGUNDO DR .ROSINHA ,DEPUTADO FEDERAL


 Boa parte da imprensa brasileira tem aproveitado a  vinda do Presidente Barak Obama ao Brasil para tentar incensar, de maneira negativa e definitivamente, o governo Lula. A tentativa parece ser a de separar do governo atual, da Presidente Dilma Roussef. A intenção é criar um artifício que  deixaria o governo americano à vontade para corrigir um erro crasso: não ter apoiado o governo anterior, o de Lula, o que ocorreu ano após ano de modo, muitas vezes completamente torpe e desleal – pois não era admissível que um torneiro mecânico, semi-alfabetizado, comandasse  o Brasil, um pais continental e o deixasse nas condições que deixou com tanta aprovação da população.
 Rudi Bodanese cunhou uma nova expressão. Segundo ele, esta é a imprensa CHAPA PRETA. Ou seja. Aquela que vai  "adular" e  ficar "na boa" com  TODOS os lados da política e das religiões. O que realmente interessa é faturar. Vale a pena conferir Dr. Rosinha, deputado federal do  meu querido Estado do Paraná. Ele diz tudo neste texto abaixo. Vale a pena conferir!


A VISITA DE OBAMA.
A mídia brasileira tem tratado a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como um megaevento. A reação talvez seja similar a da primeira visita do Papa ao Brasil. Não existem outras pautas. Criam-se vinhetas televisivas e coberturas especiais. Parece que a encarnação viva de Deus passará por aqui no fim de semana.
Para além do mero provincianismo, a velha mídia é motivada pelo desejo de atacar a política externa do governo Lula, que estaria supostamente prestes a ser alterada pelo governo Dilma.

Conforme o desinformado desejo, a política externa do governo Lula teria apostado no “terceiromundismo” e no “antiamericanismo”, comprometendo antigas “boas relações” com os EUA. Agora, caberia a Dilma “corrigir” o desvio e reconduzir a política externa a seu paradigma histórico.
A visita de Obama representaria, assim, uma espécie de redenção do Brasil, que voltaria a ocupar seu lugar secundário na história. Daí a cobertura deslumbrada. Daí esse verdadeiro “oba-oba” abobado da velha mídia.
Mas, afora todo esse delírio ideológico, o que esperar da visita?
Na realidade, pouco. Em primeiro lugar, não ocorrerá uma correção de rumos significativa nas relações bilaterais, até mesmo porque tal correção, do ponto de vista dos interesses brasileiros, não é necessária. Não houve “desvios ideológicos”. Portanto, não há necessidade de correções substanciais, embora sempre haja espaço para aprimoramentos.
A bem da verdade, foi a recente política externa que elevou substancialmente o patamar do Brasil no cenário mundial. Por isso mesmo, o próprio embaixador norte-americano no Brasil reconhece que a nossa nação “não é mais um país emergente, mas sim um país que já emergiu”.  É justamente esse novo patamar que motiva a visita de Obama.
Para um presidente com popularidade em baixa e muito abalado politicamente depois da grande derrota nas últimas eleições legislativas dos EUA, a visita ao Brasil representa uma oportunidade para mostrar algum prestígio internacional a seu público interno.
Além disso, a recuperação da economia dos EUA tem se revelado lenta. Os EUA precisam desesperadamente reduzir seu déficit comercial com o mundo e seu desemprego interno. O Brasil, uma economia em ascensão –a sétima do mundo–, representa amplas oportunidades para os norte-americanos. Eles estão muito interessados no pré-sal, ainda mais agora, quando as ditaduras pró-ocidentais do Oriente Médio estão ruindo. Também há interesse na participação da construção da infraestrutura brasileira, inclusive aquelas relativas às Olimpíadas e à Copa do Mundo.
Para o Brasil, a visita possibilita a superação de algum mal-estar recente na relação bilateral, embora as posições fundamentais devam continuar as mesmas, inclusive no que se refere às divergências referentes ao Iraque e ao Irã.  Ademais, tais visitas sempre podem possibilitar maior comércio e mais investimentos.
Não de deve esperar muito, no entanto. A expectativa é de que seja assinado um acordo para simplificar as trocas comerciais e evitar barreiras técnicas e administrativas ao fluxo comercial. Isso implicaria o reconhecimento mútuo dos certificados emitidos pelo Inmetro e pelo órgão norte-americano correspondente da área. As divergências e as imensas barreiras tarifárias e não-tarifárias relativas ao protecionismo agrícola, antidumping, picos tarifários e quotas, que afetam boa parte das nossas exportações para os EUA (aço, suco de laranja, etanol, carnes, frutas, algodão, soja e derivados, etc.), continuarão a vigorar, impedindo uma ampliação significativa do comércio bilateral.
Saliente-se que os EUA perderam muita importância comercial e econômica para o Brasil. Em 2002, os EUA absorviam cerca de 24% das nossas exportações. Em 2010, essa participação caiu para 9,6%. Hoje, China, América Latina e União Europeia são mais relevantes para nós.
Do ponto de vista político-diplomático, existe a possibilidade de que Obama anuncie seu apoio à pretensão brasileira a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, como fez com a Índia no ano passado. Embora simpático e importante, um eventual apoio não geraria nenhum efeito imediato, já que a mudança da estrutura do conselho, que reflete arcaicamente o mundo pós-Segunda Guerra Mundial, ainda não está na pauta atual das Nações Unidas.
Deverão também ser assinados acordos nas áreas de energias renováveis, aviação civil, espacial e de combate à discriminação de raça e gênero. São acordos relevantes, mas que não mudam a natureza das relações bilaterais, como quer dar a entender a velha mídia.
O Brasil vem se tornando um grande país graças, em boa parte, a uma política externa ousada e criativa, que diversificou parcerias estratégicas, diminuiu nossa dependência em relação a parceiros tradicionais, abriu espaços para nossas exportações e investiu na integração regional e na cooperação Sul-Sul. Foi exatamente essa política externa independente que nos tornou importantes no cenário mundial, inclusive para os EUA. Quaisquer retrocessos nessa política poderiam redundar na fragilização do nosso protagonismo internacional.
Os EUA são um país de grande peso internacional, e o aprimoramento da nossa relação bilateral é sempre bem–vindo. Esse aprimoramento jamais deveria implicar no abandono de nossas justas posições e do nosso rumo próprio, no contexto das nações. Países que investiram numa relação de dependência dos EUA, como o México, por exemplo, hoje pagam um alto preço econômico e político pela decisão equivocada.
É do interesse nacional do Brasil manter uma política externa exitosa. O aprimoramento das relações Brasil-EUA, sempre conveniente, deve se balizar pelas diretrizes dessa política, e não pelo desejo ideológico de setores conservadores, que ainda não entenderam o que aconteceu no Brasil e no mundo.
Não nos deslumbremos, portanto, com essa pirotecnia ideológica da velha mídia, até mesmo porque, espetáculo por espetáculo, certamente os shows da Shakira terão maior sucesso.
Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul
PS do Viomundo: Hoje, ouvindo a CBN no táxi, capturei o caco de um comentário segundo o qual o Brasil tinha se tornado “adulto” e, portanto, o PT carioca tinha razão ao desencorajar manifestações contra Obama. Vejam bem, caros leitores, o Brasil tinha se tornado “adulto” aparentemente por receber o Obama, quando todos sabemos que se isso de fato aconteceu foi como resultado de uma política externa independente e soberana. Perigas de o PT, em sua nova encarnação, pedir silêncio obsequioso ao deputado Rosinha.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Carta aberta a Presidenta Dilma


Querida Presidente:
Hoje pensei numa forma de a contatar para lhe enviar a revista O CUIDADOR. E, ao chegar em casa, uma pessoa no Facebook, sem saber disso, passa-me o seu acesso. Considero isso o movimento do coletivo, cuja forma de energia desconhecemos, onde está a solidariedade, que é onde nosso trabalho se insere. E ela, a energia, é real.
Sou cuidadora de portador de sofrimento psíquico há 39 anos e por isto é que iniciei este projeto. Há três anos, edito a revista que é para apoiar a qualquer cuidador, dar-lhe orientação, apoio e fundamentalmente, alento e partilha nas dificuldades e nas alegrias. Durante a sua criação, dei-me conta que todos somos cuidadores, ou somos psicopatas! Cuidamos do amigo, do irmão, dos pais, de pacientes, de funcionários, de muitas pessoas. E que, existe um universo enorme de cuidadores invisíveis, os quais procuro trazer na revista, também na área pública.
A revista é também da comunidade, que tem ali seu espaço de "FALA" (e-mails e cartas) e "Depoimentos" onde conta sua história – se, ao cuidar, construiu-se, tornando-se um ser humano melhor – os quais acompanho pessoalmente por e-mail.
Seguimos com recursos próprios e muito trabalho, uma equipe mínima. Mas não abandonaremos este projeto porque é o motivo atual da minha vida.
Como mãe e amiga de muitos familiares com problemas similares, solicito que amplie o seu olhar direcionando-o também aos cuidadores com filhos com problemas mentais. O problema é muito grave. Há pessoas mal atendidas na rede SUS (diagnósticos inadequados, logo, o medicamente está errado), consultas psiquiátricas demoram muitos meses, há CAPS em muitos pontos do país sem pessoal (apenas o prédio), há falta de leitos para internações, as moradias chamadas de residenciais terapêuticos estão sem regulamentação e sem fiscalização, há falta de acolhimento (digo colo mesmo, abraço e empatia!) e cuidados adequados a nossos filhos que, ao morarem nessas casas ficam à mercê de cuidadores despreparados (trocados muitas vezes), até porque falta regulamentação, subsídio, estímulo para a criação desses lugares de cuidar. É importante quebrar paradigmas: não morar com o filho não é desassisti-lo, mas cuidar de si para ter tempo para o amar.
Há muitas experiências novas pelo Brasil, mas pouco se sabe. Na revista, temos espaço para contar e dizer que nossos filhos precisam de exercícios, de arteterapia, de alimentação nutricional, de escuta, sem que se tenha que pagar vários salários mínimos, o que é impossível à grande maioria da população.
Qual a diferença de saírem de manicômios e ficarem desassistidos em casas sem fiscalização? Então, os pais ou familiares, cansados do cuidado intermitente, adoecem junto no ato de cuidar, porque não têm vida social realizadora. As famílias cansam, os maridos vão embora, as mães ficam com tudo. E quando elas se forem?  Este é o maior medo dos familiares, que a mãe morra antes do filho portador, o que é muito comum.
Além disso, saber que nossos filhos são cuidados como cidadãos, é o que dá saúde à toda a família. 
Coloco-me à disposição pois tenho plena certeza, que um cuidador bem cuidado, melhor cuidador será!  Este é o nosso mote na revista que está em seu Ano III, que passou a ter o subtítulo "Orgulho de Ser" para aumentar a autoestima dos cuidadores, a qualquer pessoa que exerça o cuidado em qualquer instância, pois quando ele é prolongado gera síndromes (a do Cuidador) que só é reconhecida pelo MT para os profissionais do cuidado. Nunca para as mães, cuidadoras eternas.
Certa de sua atenção,
Marilice Costi, editora-chefe, arquiteta e arteterapeuta - Porto Alegre/RS
www.ocuidador.com.br

IMAGENS LINDAS DE TEMPO FEIO.

         FOTOS SOBRE UM MESMO TEMA. TODAS BELÍSSIMAS. A PRIMEIRA É DO PREMIADO FOTÓGRAFO NORTE-AMERICANO MIKE HOLLINGSHEAD  ,NO ARKANSAS, A SEGUNDA
FEITA POR LUCIA FIGUEREDO, EM VIAMAO, RS E A TERCEIRA ,POR DAGMAR SANTOS,PRAIA DO CAMPECHE EM FLORIANOPOLIS.

sábado, 5 de março de 2011

ANTÕNIO MELOS , O CIGANO DAS ARTES.


De São Sebastião, litoral norte de São Paulo, fazendo sua arte com muita cor e talento.






 
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