quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O BRASILEIRÃO ACABOU- por ALDO VOTTO

A competição nacional de clubes brasileiros de futebol mudou. O nome “Brasileirão” talvez tenha se tornado impróprio.

O marco pode ser escolhido entre vários, mas, por simplicidade, pode-se adotar, por exemplo, o desmantelamento do chamado Clube dos Treze.

Juntem-se alguns outros elementos novos e uma pitada dos velhos, como a instituição do campeonato por pontos “corridos”; a possibilidade de compra e venda de jogadores em meio à competição; a manutenção da semiprofissionalização da categoria de árbitros; a ampliação do chamado pay-per-view; a manutenção da estrutura organizacional de federações e confederação; a unificação dos títulos das competições interestaduais prévias a 1971, etc., e a novidade está consolidada.

A grande inovação é que voltamos à ordem do século passado no futebol do país.

Isto é, já sabemos de antemão quais os clubes competirão pelo título, quais serão aqueles que comporão obstáculos no caminho dos futuros campeões e, eventualmente se revezarão com os primeiros, quais os que servirão como valorosos sparrings em partidas renhidas e quais os que permitirão a demonstração do brilho e habilidade dos craques do primeiro e segundo grupos por meio de vitórias consagradoras ou goleadas humilhantes.

O motivo agora, um pouco distinto daquele das décadas de 40 a 60 do século XX, é a hegemonia absoluta da dimensão financeira dos jogos de futebol, seja pelas negociações inerentes à disputa esportiva – jogadores, ingressos nos estádios, etc. - seja pelas rendas obteníveis por empresas de comunicação ou mesmo pelas incontáveis possibilidades de compra e venda de produtos e marcas associadas aos clubes e patrocinadores.

Para facilitar o entendimento – não se trata de uma regra pétrea porque, afinal, sempre existe uma mínima probabilidade de que aconteça o inesperado em qualquer ação humana – dividamos os vinte clubes atuais do campeonato brasileiro, o Brasileirão, em cinco quartetos: ouro; prata; cobre; ferro e chumbo.

No quarteto de ouro estão os sempiternos, daqui para a frente, candidatos ao título e detentores das maiores torcidas ao longo do país e, consequentemente, donos das maiores audiências de TV : Flamengo e Coríntians; Vasco e Palmeiras.

A seguir, no grupo prata, estão os demais grandes clubes, torcidas e audiências de Rio e São Paulo: Botafogo e Santos; Fluminense e São Paulo.

No grupo de cobre, estão os clubes de torcidas e audiências estaduais e regionais que acumularam alguns títulos nacionais e internacionais no período de 1970 até a primeira década do século XXI: Internacional e Cruzeiro; Grêmio e Atlético Mineiro.

Prosseguindo na singela hierarquia dos metais, o quarteto seguinte é o de ferro, composto por clubes de grandes torcidas estaduais e que alcançaram esporádicos títulos ou disputas de finais nacionais no período citado: Coritiba e Bahia; Atlético Paranaense e Ceará. A partir deste quarteto, iniciam-se as maiores possibilidades de alteração na sua composição de um ano para outro, com a entrada de candidatos vindos do quaterno descrito logo a seguir, ou mesmo do purgatório da segundona.

E, finalmente, o quarteto de chumbo, cujo peso ameaça constantemente a queda para a série B, mas não a determina obrigatoriamente, é claro. Amplamente mutável de ano para ano, no exemplo do Brasileirão atual está composto por: Figueirense e América Mineiro; Avaí e Atlético Goianiense.

É isto. É como já disse o compositor popular: “Tudo está no seu lugar, Graças a Deus! Graças a Deus!”

Fica a sugestão aos clubes componentes dos grupos de cobre, ferro e chumbo: estabeleçam metas mais modestas e dediquem-se com maior interesse às suas competições estaduais e, quem sabe, comecem a pensar na criação de campeonatos inter ou intrarregionais como sul, centro-oeste e nordeste, com a possibilidade da nobre participação especial dos clubes de Minas Gerais em qualquer delas.

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